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Morre o ex-presidente uruguaio Jorge Batlle

Liberal e amigo de George Bush, ele enfrentou polêmicas em uma época na qual o Uruguai vivia uma de suas piores crises

AFP e EFE

25 Outubro 2016 | 06h02

O ex-presidente do Uruguai Jorge Batlle (2000-2005) faleceu nesta segunda-feira, 24, aos 88 anos, após uma cirurgia para tratar um coágulo de sangue no cérebro oriundo de uma queda, segundo o Sanatório Americano, centro de saúde onde estava internado, em Montevidéu. 

"Lamentavelmente, o esforço realizado por toda a equipe de saúde não foi o suficiente para reverter o quadro clínico com o qual ingressou Batlle após o acidente que sofreu dias atrás", informou a instituição. 

O ex-presidente, que completaria 89 anos nesta terça-feira, 25, foi hospitalizado em estado crítico no dia 13 de outubro por traumatismo cranoencefálico devido a uma queda. Ele estava internado por 10 dias.  

Batlle foi o último presidente de um partido tradicional de centro-direita no Uruguai. Seu governo, de caráter liberal, buscou se aproximar dos Estados Unidos durante uma época em que o Uruguai enfrentava uma das piores crises de sua história. Inclusive, ele era amigo do ex-presidente norte-americano George Bush. 

Na diplomacia, o ex-presidente enfrentou algumas polêmicas. Em 2002, ele chegou a cortar relações com Cuba após Fidel Castro chamá-lo de "lacaio" dos Estados Unidos. No mesmo ano, ele entrou em atrito com a Argentina após afirmar, em entrevista, que o governo vizinho era muito corrupto e que argentinos eram "um bando de ladrões". Batlle foi forçado a viajar até Buenos Aires alguns dias depois para se desculpar. 

Nas questões domésticas, o ex-presidente também criou polêmica ao dizer que era a favor da legalização da cocaína para acabar com o poder dos cartéis. "Se esse pozinho valesse apenas 10 centavos, não haveria organizações dedicadas a levantar bilhões de dólares para financiar exércitos na Colômbia", disse, em 2002.

Ao sair da presidência, em março de 2005, ele detinha apenas 5% de aprovação. Foi substituído por Tabaré Vázquez, primeiro governo de esquerda e atual presidente.

Herdeiro de uma dinastia política que marcou a história do Uruguai, Jorge Batlle nasceu em 25 de outubro de 1927. Advogado e radialista, ele foi o quarto membro de sua família a ser presidente do país. Em 1973, época em que o Uruguai ainda vivia uma ditadura militar, ele ficou preso por vários meses. Batlle chegou à presidência em março de 2000, na quinta tentativa como candidato do tradicional Partido Colorado.

Após se comprometer com uma mudança na política de direitos humanos, o ex-presidente criou a Comissão para a Paz, que formou a primeira tentativa de recompilar informações sobre presos desaparecidos durante a ditadura. Desde então, ele se dedicou a fazer declarações à imprensa e escrever colunas de opinião, o que eventualmente gerava polêmicas devido a seu estilo informal e sem "papas na língua". 

O ex-presidente será velado na manhã desta terça-feira no Salão dos Passos Perdidos do Palácio Legislativo, sede do parlamento uruguaio. O enterro será no Cemitério Central de Uruguai. 

O governo de Tabaré Vázquez decretou luto oficial nesta terça-feira, com honras fúnebres e bandeira a meio mastro em todas as repartições estatais. O decreto ressaltou que Batlle era "um defensor dos valores democráticos" que teve "um intenso e comprometido trabalho a favor do país". 

 

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