Morte de chefe do tráfico pode agravar violência no México

A morte do traficante Ignacio "Nacho" Coronel, ocorrida na quinta-feira em uma operação militar, representou uma vitória para o governo do México, mas pode causar mais violência, sem garantias de eliminação dos chefes mais procurados dos cartéis da droga, disseram especialistas e a imprensa nesta sexta-feira.

ROBIN EMMOTT, REUTERS

30 de julho de 2010 | 20h38

Cerca de cem soldados participaram da ação que matou Coronel em Guadalajara, no oeste do México, no principal golpe neste ano contra os traficantes no país.

Coronel era o terceiro na hierarquia do cartel de Sinaloa, que controla lucrativas rotas de drogas para os EUA através do oceano Pacífico. O chefe do cartel, Joaquín "El Chapo" Guzmán, é o homem mais procurado do México.

A Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA) disse que a morte de Coronel foi "um forte golpe para a capacidade de funcionamento da organização"

Mas a morte dele aumenta os temores de que um eventual vazio de poder na cúpula do cartel de Sinaloa poderia causar mais violência no México, onde 25 mil pessoas morreram desde o fim de 2006, quando o presidente Felipe Calderón mobilizou as Forças Armadas para o combate ao narcotráfico.

Os crimes, alguns por decapitação, têm causado preocupação ao governo dos Estados Unidos, a investidores estrangeiros e a turistas.

"Como o aumento da violência é proporcionalmente direto à importância dos chefes acossados, detidos ou executados, é de se supor que o golpe a Ignacio Coronel provocará estremecimentos", escreveu em editorial o diário La Jornada.

Parte da violência se deve a disputas entre traficantes pelo controle das quadrilhas. Em 2004, Guzmán se envolveu em diversas batalhas para tentar controlar as rotas do narcotráfico depois da prisão de Osiel Cárdenas, do cartel do Golfo.

"O brilho (pela morte de Coronel) pode ser efêmero. Enquanto a federação de Sinaloa tenta se reagrupar, outras organizações buscarão sem dúvida desafiar seu domínio nessa região, como a organização dos Beltrán Leyva e Los Zetas", disse a consultoria de segurança Stratfor num relatório nesta sexta-feira.

"Isso poderia conduzir a outro pico de violência."

Para outros especialistas, inclusive da DEA, é improvável que o triunfo de quinta-feira leve as autoridades diretamente a Guzmán, o "peixe gordo" do cartel. Esse traficante de 1,55 metro foi incluído em 2009 na lista dos homens mais ricos do mundo pela revista Forbes, com um patrimônio estimado em 1 bilhão de dólares.

"Esses cartéis funcionam como células. A antiguidade de Coronel não significa que respondesse a Guzmán ou a alguma outra pessoa, ele tomava as decisões no dia a dia", disse em Washington o agente da DEA, Michael Sanders.

Um especialista mexicano disse, pedindo anonimato, que Coronel havia se distanciado de Guzmán no último ano por causa de desavenças a respeito das ambições territoriais do "Chapo."

"A aliança continuava intacta, mas o cartel não vai desmoronar com a morte de um dos seus generais", disse essa fonte.

(Reportagem adicional de Michael O'Boyle)

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