'Morte parece ser uma doce opção', diz refém das Farc

Gravemente doente após passar seis anoscomo refém em acampamentos de guerrilheiros na selvacolombiana, Ingrid Betancourt acredita que "a morte parece seruma doce opção", revelaram novos detalhes de uma carta queenviou para sua família. Betancourt, que possui cidadania francesa e colombiana,escreveu para sua mãe, seu marido e seus filhos no final do anopassado, mas os trechos das cartas foram revelados pelo canalespanhol de TV Noticias Cuatro, que teve acesso a elas. Guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias daColômbia (Farc) libertaram seis reféns neste ano em acordosmediados pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez. Alguns dos ex-reféns contaram que Betancourt, que foicandidata à Presidência da Colômbia, encontra-se muito doente,enfrentando problemas no fígado e depressão. "Estou cansada de sofrer, de carregar isso dentro de mimtodos os dias, de mentir para mim mesma e de ver que todo dia éo mesmo inferno do dia anterior", escreve em um trecho da cartadivulgada pelo site do Noticias Cuatro. "Sinto como se a vida dos meus filhos estivesse em'standby', esperando para que eu seja libertada, e o sofrimentodiário deles faz da morte uma doce opção", afirmou. O marido de Betancourt disse à rádio Caracol, em Bogotá,que os trechos saíram de cartas escritas para ele e que foramencontradas com rebeldes capturados em novembro. As cartasintegravam um pacote de documentos e vídeos por meio do qual asFarc pretendiam mostrar que seus reféns continuam vivos.Betancourt e três homens que trabalhavam para o governo dos EUAestão entre os 40 reféns renomados que as Farc dizem querertrocar por combatentes rebeldes mantidos presos na Colômbia. Osesforços para selar um acordo amplo capaz de garantir essamanobra continuam paralisados. Chávez convenceu as Farc a libertarem unilateralmentealguns dos reféns na primeira ação do tipo ocorrida sob ogoverno do presidente colombiano, Alvaro Uribe, que é popularpor ter adotado uma postura combativa em relação às guerrilhas. Mas o dirigente venezuelano deixou os governos dos EUA e daColômbia indignados ao pedir um reconhecimento político maiorpara os rebeldes, acusados por autoridades norte-americanas eeuropéias de formarem um grupo terrorista envolvido no tráficode drogas. O nível de violência em meio ao conflito armado travado naColômbia há quatro décadas diminuiu durante o governo Uribe,que mobilizou soldados para retomar áreas do país antescontrolada? por gramados. Mas as Farc continuam a ter umapresença arraigada em áreas rurais mais afastadas. (Reportagem de Patrick Markey em Bogotá)

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