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Morte Raúl Reyes não deve afetar negociações, dizem Farc

Colômbia afirma que não violou soberania do Equador; Venezuela diz que ação semelhante pode provocar guerra

Agências internacionais,

02 de março de 2008 | 12h24

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) disseram neste domingo, 2, que a morte de seu número dois e porta-voz internacional, Raúl Reyes, não deve afetar a busca de um acordo para a troca de reféns por rebeldes presos. Em sua primeira declaração após o anúncio da morte de Luis Édgar Devia, nome verdadeiro do líder guerrilheiro morto em ação colombiana no Equador, e de outros 16 guerrilheiros, as Farc afirmaram que o sangue derramado, o legado e a memória do líder rebelde engrandecem a causa da organização. Veja também:Chávez adverte contra ação anti-Farc na VenezuelaExército colombiano mata número dois das FarcEquador anuncia investigação sobre combates Uribe felicita Exército por missão que matou de ReyesPerfil de Raúl Reyes, o 'número dois' das FarcPor dentro das Farc  Reféns colombianos: do seqüestro à liberdade O governo da Colômbia reforçou neste domingo que "não violou a soberania" equatoriana na operação aérea militar do último sábado. O governo do Equador afirmou por meio de nota da Chancelaria, que exigirá "desculpa formal" de Bogotá e indenização por eventuais danos causados pelo ataque colombiano em território equatoriano. "Antecipamos que a Colômbia não violou a soberania, mas agiu de acordo com o princípio de legítima defesa", expressou o Ministério das Relações Exteriores ao responder o Governo do Equador, que considerou a operação uma "agressão". Num comunicado divulgado em Bogotá, a Chancelaria acrescentou que "os terroristas, entre eles 'Raúl Reyes', tinham o costume de matar na Colômbia e de invadir o território dos países vizinhos para se refugiarem". Em mensagem divulgada na internet, a guerrilha convocou os seus integrantes a se manterem firmemente apegados ao espírito revolucionário, "a não hesitarem no esforço a favor da troca humanitária e a continuarem com o propósito de paz e de construção de uma democracia efetiva com justiça social". "Esta é a melhor homenagem a todas e todos os camaradas caídos em combate", acrescenta o texto, que trouxe alívio aos familiares dos 40 reféns que podem vir a ser trocados por 500 insurgentes presos. A morte de Raúl Reyes provocou receio em relação à continuidade das negociações pela libertação de grupo de seqüestrados, entre os quais se encontra a ex-candidata à Presidência Ingrid Betancourt. Na mesma nota, as Farc dizem que, "provavelmente nos próximos dias", os "organismos de direção" da guerrilha farão "um pronunciamento oficial" sobre a morte de Édgar Devia. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, alertou no sábado à noite seu colega colombiano Álvaro Uribe que a guerra poderá ser iniciada entre os vizinhos da América do Sul se forças militares da Colômbia cruzarem território venezuelano. Chávez criticou as forças colombianas por terem entrado em território equatoriano para atacar as Farc e advertiu Uribe contra ações similares na fronteira com a Venezuela. "Não pense em fazer isso aqui, porque seria muito grave, seria motivo de guerra", disse Chávez. No sábado, o presidente equatoriano, Rafael Correa, criticou a ação militar da Colômbia em seu território, considerada "a pior agressão" que seu país sofreu por parte do país vizinho. Por isso, Correa chamou para consultas em Quito seu representante em Bogotá, o embaixador Francisco Suéscum. "Se considerar apropriado, o Equador recorrerá a instâncias internacionais para exigir a segurança de seus habitantes, a integridade territorial do país e o respeito a seus direitos soberanos", afirma o texto. O comunicado destaca que "as autoridades do Equador não tiveram conhecimento prévio da operação colombiana nem deram sua autorização para que esta se realizasse ou para que forças desse país ingressassem no território nacional". Baixa rebelde Reyes, um dos sete membros do secretariado (comando central) das Farc e considerado seu porta-voz internacional, foi morto depois que a Força Aérea e o Exército colombianos rastrearam sua localização ao interceptar uma ligação telefônica. A morte de Reyes, que até então era visto como provável sucessor do líder máximo das Farc, Pedro Antonio Marín - conhecido como Manuel Marulanda ou Tirofijo (Tiro Certeiro) -, marca o pior revés contra a guerrilha em quatro décadas de conflito. Além de Reyes, foi morto também o guerrilheiro Guillermo Enrique Torres, conhecido como Julián Conrado, um dos ideólogos e principais compositores das Farc. Torres entrou na guerrilha aos 29 anos, em 1983, e foi o responsável pela direção de um projeto cultural dentro das Farc para dar identidade à organização.Com 59 anos, Reyes, cujo nome verdadeiro era Luis Edgar Devia Silva, foi o principal negociador da guerrilha durante os frustrados diálogos de paz com o governo do presidente Andrés Pastrana (1998-2002). Ele foi o primeiro membro do secretariado das Farc a ser morto pelas Forças Armadas da Colômbia. O Departamento de Estado dos EUA havia oferecido uma recompensa de US$ 5 milhões por informações que levassem à sua prisão, assim como dos outros seis membros da cúpula do grupo.

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