Mortos em terremoto no Peru podem passar de 330

Até 1.300 pessoas podem estar feridas em Lima e na região costeira; defesa civil alerta para novos tremores

Agências internacionais,

16 de agosto de 2007 | 06h43

O terremoto de 7,9 graus de magnitude na escala Richter que atingiu o Peru na noite desta quarta-feira, 15, pode ter deixado pelo menos 337 mortos e mais de 800 feridos segundo a defesa civil. De acordo com declarações do ministro da Saúde peruano, Carlos Vallejos, pelo menos 1.300 pessoas foram feridas e 135 morreram.   Veja também: Veja as imagens da CNN  Comunidade internacional oferece apoioBrasileiro relata momentos do terremoto no Peru História do Peru é marcada por terremotos  Brasileiros no Peru temem novo terremoto  Segundo o Centro de Estudos Geológicos dos Estados Unidos, o tremor de dois minutos, registrado às 18h40 (20h40 de Brasília) teve seu epicentro no mar, a 150 quilômetros ao sul da capital, Lima, próximo à cidade costeira de Chincha Alta. Diversas casas desmoronaram e houve cortes no fornecimento de energia e nas linhas telefônicas.  O governo declarou estado de emergência no sul do país. A Defesa Civil lançou um alerta vermelho e avisou que pode haver novos tremores durante os próximos dias.  Nas 12 primeiras horas após o primeiro tremor, foram registrados mais de 140 tremores secundários na região próxima ao epicentro. As réplicas voltaram a assustar a população, causando correria durante a madrugada.  Vários dos mortos estavam em um prédio que desabou na cidade de Ica, ao sul de Lima. O desmoronamento deixou mais de 70 feridos.  O presidente Alan García suspendeu as aulas em todo o país para que as autoridades possam avaliar possíveis danos estruturais nos prédios. García afirmou que ele está enviando três integrantes do gabinete, incluindo o ministro da Saúde, para a região mais afetada pelo terremoto.  Ele também anunciou o envio de médicos e enfermeiras para apoiar os hospitais de Cañete, Chincha, Pisco e Ica, as quatro cidades mais afetadas pelo tremor e onde está a maioria dos feridos.  Os moradores dessa região se reuniram nos parques, em áreas abertas, sem edifícios por perto e longe do mar, para passar a noite. A cidade de Ica continua sem energia elétrica e os bombeiros trabalham para resgatar as vítimas dos escombros. Para evitar o caos, os médicos peruanos, que estavam em greve, decidiram voltar ao trabalho por causa do número de ligações de emergência. O ministro da saúde também declarou que os hospitais da cidade de Ica estão em colapso e não conseguem atender a todos os feridos. Ele explicou que na cidade de Pisco, que já visitou, "algumas casas caíram e as pessoas estão dormindo nas ruas". "É um panorama impactante e desolador", disse Vallejos à Efe, que comanda uma comitiva de 20 ambulâncias, 50 médicos e 30 enfermeiras. Além disso, a delegação leva um centro de operações portátil, remédios e outros equipamentos e utensílios de primeira necessidade. Mais cedo, foi lançado um alerta de tsunami para Peru, Chile, Equador e Colômbia, que foi, em seguida, cancelado. De acordo com Barry Hirshorn, funcionário do Centro de Alerta de Tsunami do Oceano Pacífico, localizado do Havaí, o alerta foi cancelado porque não havia evidência de risco de tsunami.  Desastre Segundo testemunhas, o tremor foi sentido por volta das 18h40 (20h40 pelo horário de Brasília) e sacudiu prédios da capital peruana, provocando correria nas ruas. "Eu senti um forte tremor, livros caíram das estantes e quadros caíram das paredes. Então fui para uma zona de segurança", disse o correspondente da BBC em Lima, Dan Collyns.  O tremor também sacudiu prédios na capital peruana, provocando correria nas ruas. Autoridades peruanas disseram que este foi o pior terremoto da história recente do país. O último terremoto a atingir a capital, Lima, ocorreu em 1974, quando um tremor que marcou 6,6 na escala Richter, deixou 78 mortos e 2.500 feridos.  Houve pânico e muita gente se recusou a passar a noite em um local fechado.  No centro de Lima, onde há construções antigas, um prédio de quatro andares desabou, mas ninguém morreu. Vários edifícios estão com rachaduras e muitos vidros quebraram. Durante o terremoto, muita gente teve que ser atendida na rua pelos bombeiros.  "Eu estava no escritório quando começou o terremoto. De repente os quadros começaram a balançar e eu corri para a zona de segurança para me proteger. Foi uma confusão", conta a brasileira Sílvia Araújo, que mora em Lima.  "Quando vi que o tremor não parava, decidi descer pelas escadas. Havia centenas de pessoas na rua, assustadas. Muita gente chorando, tentando ligar para a família pelo celular, mas não havia linha", diz Araújo.  Por medida de segurança, as pessoas que moram na orla foram retiradas de casa. "Tivemos que pegar um casaco e sair correndo", diz Ricardo Cortijo, morador de Callao, uma região à beira da praia. Bairros inteiros continuam sem eletricidade e as linhas telefônicas continuam sem operar normalmente. "Felizmente eu moro em um prédio que foi especialmente projetado para resistir a terremotos, que são comuns em Lima e em outras regiões do Peru. Mas acredito que em outras áreas da capital, onde muitos prédios são de baixa qualidade, haverá muitos danos", disse o correspondente da BBC.

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