Movimento pró-Zelaya desiste de restituição

Líder do grupo afirma que decisão do Congresso 'desanimou o povo'

Efe,

03 de dezembro de 2009 | 21h54

A Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado em Honduras deu por encerrada a luta pela restituição ao poder do presidente derrubado Manuel Zelaya, ao passo que o chefe de Estado recém-eleito, Porfirio Lobo, pediu a constituição de um Governo de união nacional.  

 

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O movimento, que desde o golpe de Estado de 28 de junho manteve uma ampla mobilização popular, se reuniu nesta quinta-feira, 3, em uma assembleia. Nela, decidiu não marchar por Tegucigalpa, como vinha fazendo com frequência, e convocou uma nova reunião para o fim de semana, quando vai definir a estratégia que seguirá a partir de agora.

 

"Fechamos o capítulo da restituição do presidente Zelaya, que não aconteceu", disse à Agência Efe Juan Barahona, coordenador da Frente Nacional, depois que o Congresso, por ampla maioria, decidiu manter o presidente deposto fora do cargo.

 

Barahona admitiu que, embora esperada, a decisão do Congresso foi uma decepção para o movimento. Ele explicou ainda que não houve passeata nas ruas porque o movimento já havia pressentido que "um resultado negativo no Congresso ia desanimar o povo".

 

Para o ativista, "resta muito pouco a fazer", já que "faltam apenas dois meses" para o fim do mandato de Zelaya, que termina em 27 de janeiro. Depois desta data, quem assumirá a Presidência é Porfirio Lobo, do opositor Partido Nacional e vencedor das eleições do último domingo.

 

A maioria dos países da comunidade internacional, no entanto, decidiu não reconhecer o pleito, por considerar que ele foi realizado em um momento de ruptura constitucional.

 

"Agora a luta é pela Constituinte" e pela chegada da Frente Nacional ao poder, explicou Barahona.

 

Lobo, por sua vez, pediu a Zelaya e ao presidente interino, Roberto Micheletti, que formem um Governo de união nacional, em cumprimento ao Acordo de Tegucigalpa-San José. O objetivo desta medida seria destravar as relações e a ajuda internacional.

 

O chefe de Estado recém-eleito declarou à imprensa que não é suficiente o Parlamento cumprir apenas um dos pontos do pacto para solucionar a crise política em Honduras, que seria aquele relativo à restituição de Zelaya ao poder. Para Lobo, é preciso completar os restantes.

 

"Refiro-me ao Governo de reconciliação que deveria ter sido constituído em 5 de novembro, que está pendente e que é preciso instituir, assim como a Comissão da Verdade", destacou.

 

Zelaya não reconhece o acordo, que, segundo seu argumento, foi quebrado pelo Executivo de Micheletti quando este não determinou sua restituição ao poder antes de 5 de novembro, quando o presidente interino anunciou que formaria unilateralmente o Governo de unidade.

 

Diante dessa situação, o chefe de Estado eleito destacou que "o acordo nunca disse quem lideraria" o Governo de reconciliação e que, após a decisão do Parlamento sobre Zelaya, é necessário que "as partes se sentem e cumpram todo o pacto".

 

Lobo também disse hoje que vários países o parabenizaram pela vitória nas eleições. Mas ressaltou que muitos deles lembraram, em "uma mensagem muito clara", que é preciso cumprir integralmente o acordo para a normalização das relações diplomáticas e a retomada da ajuda a Honduras.

 

Depois do golpe de Estado de junho, a comunidade internacional cortou seus programas de ajuda a Honduras e decidiu não reconhecer o Governo interino.

 

Micheletti, por sua vez, pediu "à população do mundo inteiro que foi contra (o seu Governo) que faça uma reflexão", pois os hondurenhos querem "viver democraticamente, sem imposições de natureza alguma", e escolher suas autoridades, "como aconteceu no domingo".

 

Segundo Micheletti, com a recente eleição, os hondurenhos disseram ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, aliado de Zelaya, que ele "é um transtornado que não tem capacidade para impor absolutamente nada".

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