Mujica parte para ataque e compara rival a ditador

Mais votado na eleição de domingo, esquerdista deve ter trabalho para superar Lacalle em 29 de novembro

Ariel Palacios, O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2009 | 07h48

O ex-guerrilheiro José Pepe Mujica, candidato da governista Frente Ampla, de centro-esquerda, convocou os militantes para um derradeiro esforço com o qual pretende garantir a vitória no segundo turno das eleições presidenciais uruguaias sobre seu rival, o ex-presidente Luis Alberto Lacalle, do Partido Nacional (Branco), de centro-direita. Mujica, que segundo dados da apuração, obteve 47,5% dos votos na eleição presidencial de domingo, comparou Lacalle com o ditador espanhol Francisco Franco. Mujica promete radicalizar o discurso e afirma que ele e seu rival só têm em comum "o fato de serem uruguaios".

Lacalle, que obteve 28,5% dos votos, optou por um discurso conciliador e iniciou negociações com o Partido Colorado, de centro, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, com 16,7% dos votos. O candidato colorado, Pedro Bordaberry, declarou seu respaldo a Lacalle.

Mujica deve vencer no segundo turno, dizem analistas. Mas eles recordam que, em 1999, o colorado Jorge Batlle, que havia ficado em um distante segundo lugar, atrás da Frente Ampla, conseguiu vencer o segundo turno com o apoio do Partido Nacional.

O cientista político Adolfo Garcés, do Instituto de Ciência Política da Faculdade de Ciências Sociais, sustentou que "matematicamente, Lacalle tem chances para o segundo turno". Mas destaca que "politicamente, as chances de Lacalle serão difíceis".

Diversos analistas consultados pelo Estado, além de integrantes do próprio comitê de Mujica admitem que o estilo "confuso" e "de confronto" do septuagenário ex-guerrilheiro provoca perda de votos. "Os simpatizantes da esquerda votaram no partido, não necessariamente em Mujica. A Frente perdeu votos da classe média não somente pelo estilo de Mujica, mas também pela reforma tributária e o aumento da criminalidade."

O tom de Mujica para o segundo turno, marcado para 29 de novembro, é de "plebiscito" do governo do socialista moderado Tabaré Vázquez.

Lacalle critica asperamente o Mercosul e diz que o bloco comercial perdeu seu rumo. Mujica também critica o bloco, embora com menos vigor. Ambos consideram que o país deveria buscar acordos comerciais com outras regiões.Lacalle abomina o venezuelano Hugo Chávez e o boliviano Evo Morales, enquanto Mujica destaca os laços de amizade com ambos.

 

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