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Mulher de sequestrador de avião no México pede desculpas

Com bomba falsa, boliviano domina Boeing com 104 passageiros que ia de Cancún para a capital, mas acaba preso

10 de setembro de 2009 | 09h59

 A mulher do fanático religioso boliviano Josmar Flores Pereira, responsabilizado pelo sequestro de um avião da companhia Aeromexico que levava mais de 100 pessoas, pediu desculpas pelas ações de seu marido e o qualificou como um "homem exemplar". Elizabeth Melgar, também de origem boliviana e radicada no estado de Oaxaca, no sul do México, foi entrevistada na noite de quarta-feira, 9, pela emissora W Radio, à qual disse que Pereira pretendia chamar a atenção da imprensa.

 

A aeronave, um Boeing 737, que fazia o voo 576, com uma rota que partiu da Bolívia, foi tomada por sequestradores durante uma escala em Cancún. Posteriormente, a aeronave seguiu para a capital, onde pousou no aeroporto internacional em uma área destinada a emergências. O sequestrador, um pastor evangélico de 44 anos, disse ter recebido uma "revelação divina" de que o México corria grande perigo e estava ameaçado por um terremoto.

 

Após ser preso, Flores foi apresentado à imprensa e disse ter usado uma lata de suco para fingir que tinha uma bomba e assumir o controle do avião. Ele disse aos jornalistas ter agido no dia 09/09/09 porque a data, quando lida de cabeça para baixo, forma 666, o número "ligado ao anticristo". "Jesus está chegando", disse Flores aos jornalistas. Durante o sequestro, ele disse aos comissários de bordo que tinha três cúmplices: "o Pai, o Filho, e o Espírito Santo".

 

Policiais mexicanos invadiram o avião e saíram com nove pessoas algemadas. A polícia esclareceu, entretanto, que apenas um sequestrador foi responsável pela ação. As outras oito pessoas retiradas da aeronave pela polícia seriam passageiros e tripulantes. Entre os passageiros algemados estava um deputado do Estado de Quintana Roo, onde fica Cancún.

 

Flores é um ex-viciado em drogas e já foi condenado por assalto à mão armada na Bolívia. Ele vive no México há 17 anos. O boliviano afirmou que foi a Cancún para pregar. Ele disse ainda que também é cantor. "É um homem muito nobre, jamais quis machucar ninguém, peço desculpas em nome do povo evangélico, de minha família e em nome de meu marido, que no momento certo também pedirá", disse Elizabeth. Segundo a mulher, seu marido se dedica à "luta para que viciados em drogas e álcool saiam desse mundo" do vício. "Todos cometemos erros e felizmente não aconteceu nada", completou.

 

Em um vídeo no YouTube, Flores diz que trabalhou como matador de aluguel em Santa Cruz, na Bolívia, e exibe a seus companheiros sua habilidade no manejo de armas ao jogar uma moeda para o alto e disparar contra ela. No site, também foram postados vídeos de Flores cantando músicas evangélicas e está à venda um DVD de sua atuação em um concerto na cidade de Oaxaca, em 2006. Em outro site, ele dá testemunhos dizendo que viveu 11 anos no mundo das drogas.

 

(Com Ansa e O Estado de S. Paulo)

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