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Mulher de Zelaya queria entrar na Nicarágua com mil pessoas

Juiz afirma que Xiomara Castro pretendia realizar um comício político na travessia para encontrar o marido

Efe,

29 de julho de 2009 | 09h39

Xiomara Castro, mulher do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, não conseguiu chegar à fronteira com a Nicarágua para encontrar com o marido porque pretendia atravessá-la com quase mil pessoas, disse o juiz Nery Roberto Velázquez, da Corte Suprema de Justiça hondurenha.

 

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Velázquez foi o juiz executor escalado pela Corte Suprema para acompanhar a mulher de Zelaya e sua família até a fronteira. Ele disse à Agência Efe que, ao se aproximar do limite fronteiriço, Xiomara queria que também fosse permitida a passagem de aproximadamente outras mil pessoas. Segundo o magistrado, o grupo que acompanhava a mulher do presidente derrubado há exatamente um mês incluía, entre outros, seus filhos, a mãe de Zelaya, Hortensia Rosales, e inclusive empregados.

 

Diante do risco oferecido pela alta concentração de pessoas, os militares e policiais que controlam a segurança no departamento (estado) de El Paraíso, limítrofe com a Nicarágua, impediram que a caravana chegasse até a passagem fronteiriça de Las Manos, disse Velázquez. Segundo o juiz, a mulher de Zelaya "aparentemente pretendia (efetuar) um comício político".

 

"A primeira proposta (dos militares) era que passasse só a família, a segunda era que só eu passasse, e a terceira, era que só passasse minha filha, Hortensia Zelaya", declarou Xiomara na cidade de El Paraíso, a 12 quilômetros de Las Manos. "Espero que também nos garantam o retorno porque, pelo jeito como as coisas vão, o que pretendem é extraditar a família também", acrescentou. "O próprio Exército tomou a decisão de desacatar a ordem da Corte Suprema e decide que somente nós podemos passar", ressaltou Xiomara.

 

Em declarações a "Rádio Globo", de Tegucigalpa, a mulher do presidente deposto disse que "há uma tropa que não deixa ninguém passar. A família de Zelaya não aceita passar temor por sua vida". A Corte Suprema de Justiça hondurenha ordenou às autoridades que permitissem a passagem dos familiares de Zelaya, que desde sexta-feira passada estavam retidos em uma barreira militar em Danlí, a poucos quilômetros da fronteira com a Nicarágua. Desde sexta-feira, o Exército hondurenho impede a aproximação de civis à passagem fronteiriça pela qual Zelaya pretende retornar ao país a fim de retornar à Presidência. O departamento de El Paraíso continua em toque de recolher desde o último dia 24.

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