Multidão irritada com atraso queima trens na Argentina

Centenas de passageiros irritadoscom o atraso dos trens de subúrbio incendiaram uma composiçãona quinta-feira na região oeste da Grande Buenos Aires, numaação qualificada pelo governo como sabotagem. As vias de várias estações da área teriam sido bloqueadaspor pessoas que impediram a circulação dos trens, provocandoatrasos. O ministro da Justiça, Aníbal Fernández, atribuiu as açõesa militantes de esquerda com conhecimentos sobre os trens. "Foiuma ação armada e premeditada", disse ele a jornalistas."Lançou-se um líquido [sobre o painel de controle do trem] queprovocou um curto-circuito, os freios foram acionados, e apartir daí começaram a destruir as composições, os carros dosempregados e da empresa." De acordo com o ministro, foram destruídos oito vagões, aocusto unitário de 1 milhão de dólares. A empresa operadora do serviço, alvo habitual de queixas,admitiu a demora, mas queixou-se da violência. "Entendemos a bronca que as pessoas possam ter porque oserviço possa estar interrompido ou atrasado, mas de nenhumamaneira podem atentar assim contra um serviço público", disse auma TV local Gustavo Gago, assessor de imprensa da TBA. A TV argentina exigiu imagens das labaredas em váriosvagões na estação Merlo da linha Sarmiento, na zona oeste,enquanto a multidão ocupava as vias e os trens na estaçãoCastelar. Gago disse que em Merlo os passageiros queimaram um treminteiro, e em Castelar atearam fogo a uma cabine de condução. A polícia deteve 12 pessoas. Militantes de esquerdaprotestam em frente à delegacia pedindo a libertação dosenvolvidos. "Ninguém viaja com elementos pirotécnicos, ninguém viajacom aerossóis de pintura nem com elementos incendiários quandovai trabalhar", disse o chefe de polícia Daniel Salcedo a umaTV, sugerindo a hipótese de sabotagem. O serviço ferroviário passou mais de seis horas suspenso ecomeçou a ser restabelecido por volta do meio-dia. Em 2005, passageiros incendiaram vagões na mesma linha,também em reação à demora. "O serviço está saturado. Não podemos incrementar afreqüência dos trens por causa do sistema de barreiras, e averdade é que estamos em um nó, é difícil a continuidade daprestação do serviço nas condições atuais", disse o porta-vozda TBA. (Por César Illiano; Reportagem adicional de NicolásMisculin e Walter Bianchi)

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