Na Costa Rica, presidente hondurenho acusa militares de golpe

Expulso do país, Manuel Zelaya diz que ainda é presidente de Honduras; oposição quer eleger interino

Efe e Reuters,

28 de junho de 2009 | 14h27

Manifestantes favoráveis a Zelaya tentam impedir passagem de tanque do Exército. Foto/ Reuters

 

SAN JOSÉ - O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi preso em sua residência oficial neste domingo, 28, horas antes de um plebiscito sobre uma reforma constitucional no país e levado por militares para a Costa Rica. Tanques estão nas ruas e a oposição no Congresso pretende votar a eleição de um presidente interino. Do país vizinho, Zelaya disse que ainda é o chefe de Estado constitucional de Honduras e acusou militares e a oposição de tentar dar um golpe de Estado.

 

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Em uma entrevista à televisão costa-riquenha  Zelaya, disse que foi preso por soldados do exército que passaram por seus seguranças enquanto dormia e levado para San Jose, capital da Costa Rica. Ele acusou os militares de tentarem um golpe e disse que ainda é o presidente do país. A oposição a Zelaya no Congresso prometeu votar se decreta o chefe do Legislativo, Roberto Micheletti, como presidente interino.  

 

"Um governo usurpador não pode ser reconhecido absolutamente por ninguém. Sabem que estão danificando o país e alimentando o monstro da violência", disse o presidente.  Ele pediu a seus compatriotas que resistam de maneira pacífica ao golpe.

 

 Repercussão

 

A prisão e expulsão de Zelaya foi duramente criticada pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e pela União Europeia (UE) e por países latino-americanos, como o Brasil, a Argentina a Venezuela e a Bolívia.  A OEA está reunida em regime de emergência para debater a crise. O secretário-geral, José Miguel Inzulza pediu que a comunidade internacional condene o que chamou de interrupção no processo democrático no continente.

 

A União Europeia condenou o que chamou de golpe de Estado. " É uma violação inaceitável da ordem constitucional em Honduras", disse o chanceler Jan Kohout, da República Tcheca, país que detém a presidência do bloco.

 

Nesta tarde, Os EUA negaram participação no golpe. "Não houve envolvimento nesta ação contra o presidente Zelaya", disse a Casa Branca à Reuters.O presidente Barack Obama manifestou preocupação com a crise em Honduras. "A prisão e a expulsão de Manuel Zelaya me preocupa. A disputa deve ser resolvida pacificamente por meio do diálogo e sem a interferência estrangeira", disse.

 

O Itamaraty divulgou um comunicado sobre a prisão de Zelaya. "Ações militares desse tipo configuram atentado à democracia e não condizem com o desenvolvimento político da região", diz o texto.

 

A prisão

 

Zelaya foi detido por militares entre 5h e 6h (8h e 9h de Brasília). Não momento da prisão, ele estava no palácio presidencial, que permanece cercado por cerca de 300 soldados.  A detenção do chefe de Estado aconteceu aproximadamente duas horas antes do início da "consulta popular" convocada por Zelaya para votar uma reforma constitucional, declarada ilegal por órgãos como o Parlamento e a Suprema Corte.

 

Pouco mais de uma hora depois da detenção de Zelaya, por volta das 7h (10h de Brasília), a transmissão das rádios foi interrompida por instantes, mas voltou ao normal após alguns minutos. Os meios de comunicação estão pedindo à população que fique em casa e aguarde um comunicado oficial de uma autoridade não especificada. A recusa das Forças Armadas em colaborar com o presidente na consulta mantinha o país numa situação de crise política há alguns dias.

 

Zelaya declarou que "seis ou sete" pessoas da elite econômica do país estão por trás da operação, mas não quis dar os nomes para evitar violência.  O presidente acrescentou que se reunirá ainda hoje com diplomatas e enfatizou que vai cumprir seu mandato até janeiro de 2010. Ele ainda pediu que os EUA esclareçam se tiveram algum papel no golpe.

 

Protestos e greve geral

 

A polícia hondurenha dispersou um protesto no centro de Tegucigalpa de partidários do presidente com bombas de gás. Carros blindados e tanques estão nas ruas da capital do país.  Milhares de pessoas se concentram em frente à residência presidencial de Honduras, na capital Tegucigalpa, para fazer uma "resistência pacífica".

 

Cerca de três mil simpatizantes de Zelaya protestam em frente à sede do governo, que permanece isolado por um forte dispositivo militar de segurança, sem que até o momento incidentes tenham sido registrados, informaram os organizadores da manifestação.

 

"Estamos convocando uma greve geral a partir de amanhã", afirmou à Agência Efe o presidente do Comitê para a Defesa dos Direitos Humanos em Honduras (Codeh), Andrés Pavón, um dos organizadores da manifestação. 

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