Na despedida de Chávez, venezuelanos prometem manter a revolução

Dezenas de milhares de partidários em luto ficaram em filas que serpenteavam em torno da Academia Militar

Reuters

07 de março de 2013 | 13h13

CARACAS - Saudando, com os punhos cerrados e fazendo o sinal da cruz sobre o caixão aberto, os venezuelanos reuniram-se nesta quinta-feira, 7, para ver seu líder pela última vez e prometer que sua revolução socialista não vai morrer.

Dezenas de milhares de partidários em luto ficaram em filas que serpenteavam em torno de uma academia militar grandiosa em uma demonstração em massa de respeito por Chávez, que morreu na terça-feira aos 58 anos após uma batalha de dois anos contra o câncer.

De soldados em uniformes e oficiais em trajes cerimoniais a ministros e moradores das favelas onde Chávez foi muito amado durante seus 14 anos no poder, quem estava na fila prometeu defender o seu legado e apoiar seu sucessor preferido, o presidente interino, Nicolás Maduro, em uma nova votação.

"Nós queremos ver o presidente, queremos estar lá para seus últimos momentos", disse Trinidad Nuñez, 40, em frente ao prédio onde o corpo de Chávez ficará até o funeral oficial na sexta-feira. "Cabe a nós continuar a revolução e fazer o que Chávez nos pediu para fazer: apoiar Maduro."

O corpo de Chávez estava vestido com uniforme militar e a boina vermelha que ele usou em um discurso à nação em 1992 quando lançou a sua carreira política após um golpe fracassado.

ELEIÇÃO MADURO X CAPRILES

Ainda há incerteza sobre exatamente quando será realizada uma eleição no país-membro da Opep com as maiores reservas mundiais de petróleo.

Embora a constituição estipule que uma nova eleição presidencial deve ser realizada dentro de 30 dias, os políticos dizem que as autoridades eleitorais podem não estar prontas a tempo e há rumores de um possível atraso além disso.

Maduro, 50 anos, um ex-líder sindical que terminou a sua formação no ensino médio antes de mergulhar na política, parece certo para enfrentar o líder da oposição Henrique Capriles, 40 anos, o governador centrista do Estado de Miranda que perdeu para Chávez na eleição do ano passado.

Fontes da oposição disseram à Reuters na quarta-feira que concordaram em apoiar novamente Capriles, cujo resultado de 44% dos votos em 2012 foi o melhor desempenho de qualquer candidato contra Chávez.

Uma recente pesquisa de opinião apontou Maduro com uma forte liderança e os mercados internacionais e diplomatas estrangeiros consideram uma vitória provável para ele, ou seja, uma continuação das políticas "chavistas", pelo menos no curto prazo.

Maduro, que não tem a retórica fervorosa de Chávez, foi seu ministro das Relações Exteriores durante seis anos antes de ser nomeado vice-presidente no final de 2012. Ele se comprometeu a aderir à marca de Chávez de políticas ferozmente nacionalistas e políticas econômicas controversas que incluíram ataques regulares a empresas privadas, bem como programas sociais muito populares.

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