Na Espanha, cubanos descrevem a vida degradante em prisões da ilha

Ex-prisioneiros também se queixaram das condições que encontraram ao chegar em Madri

ALICE TOZER, REUTERS

15 de julho de 2010 | 17h52

Ex-presos políticos conversam com a imprensa em Madri

 

MADRI- Sete dos 11 presos políticos cubanos libertados e levados a Madri nesta semana descreveram na quinta-feira, 15, a condição em que se encontravam - vivendo entre ratos e com risco de tuberculose.

 

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O governo cubano recentemente aceitou libertar 52 de 75 presos políticos condenados em 2003 por atividades anticomunistas, autorizando que eles se mudassem para a Espanha com suas famílias. A decisão foi tomada sob mediação da Igreja Católica, com ajuda de diplomatas espanhóis, e recebeu elogios dos Estados Unidos e União Europeia.

Alguns dos presos chegaram a ser condenados à morte. Muitos se queixaram das condições em que se encontravam. "Meu corpo não suportaria as drogas contra tuberculose que eu estava tomando - nada surpreendente, considerando as condições em que estávamos vivendo, sempre cercados por ratos e excrementos", contou Normando Hernández González, ex-jornalista da Agência CPIC, em entrevista coletiva em Madri.

Os sete cubanos - falando também em nome dos outros quatro que chegaram a Madri ontem e hoje - disseram que vão continuar lutando pela libertação de todos os presos políticos de Cuba.

"Nossa libertação é um primeiro passo, mas não é uma revolução. Não conseguimos nada ainda em termos de trazer democracia a Cuba", disse Ricardo González Alfonso, ex-correspondente da entidade Repórteres Sem Fronteiras.

Embora críticos às autoridades, os sete se disseram orgulhosos do seu país. Acrescentaram que gostariam de voltar, mas que temem uma nova prisão.

Alfonso disse que gostaria de ver Cuba, que virou comunista depois da Revolução de 1959, com as mesmas liberdades políticas que a Europa. "Quero poder assistir a um debate político pela TV entre os líderes do país e a oposição, mas no meu país e na frente da minha própria TV", disse ele, referindo-se ao debate anual que ocorre no Parlamento espanhol, e que foi transmitido nesta semana pela televisão.

Os ex-prisioneiros agradeceram o governo da Espanha, o povo e a imprensa do país, mas se queixaram das condições de vida que encontraram em Madri. Disseram que estão com suas famílias em um albergue superlotado no bairro suburbano de Vallecas, dividindo as instalações com outros imigrantes.

Eles também reclamaram do status jurídico incerto de que gozam na Espanha, e afirmaram que não desejam ser enquadrados como imigrantes - o que lhes impediria de viajar e trabalhar livremente na União Europeia. "Não estamos realmente livres. Agora somos tão prisioneiros políticos na Espanha quanto em Cuba", disse Julio César Galvez Rodríguez.

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