Na Nicarágua, líderes de esquerda debatem sobre Honduras

Presidentes discutem caminhos para restituir ao poder o presidente hondurenho, deposto num golpe de Estado

Ansa,

29 de junho de 2009 | 12h34

 Os presidentes de esquerda da América Latina buscarão nesta segunda-feira, 29, caminhos para restituir ao poder o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, deposto pelas Forças Armadas em um golpe de Estado condenado pela comunidade internacional. Ao menos 15 chefes de Estado participarão de cúpulas extraordinárias em Manágua, capital da Nicarágua, para analisar a situação de Honduras, onde militares obrigaram o presidente Manuel Zelaya a sair do país na madrugada de domingo.

 

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O anfitrião dos encontros e presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, confirmou a presença dos governantes de oito dos nove países-membros da Aliança Bolivariana das Américas (Alba), e de pelo menos cinco sócios do Sistema de Integração Centro- Americana (Sica). O mandatário informou que devem chegar à capital nicaraguense seu homólogo mexicano, Felipe Calderón, presidente pro tempore do Grupo do Rio (que reúne países latino-americanos), os governantes da Bolívia, Dominica, Antígua e Barbuda, Panamá, Costa Rica, Guatemala, El Salvador e Belize, e os chanceleres de Cuba e da República Dominicana.

 

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, também está se dirigindo à Nicarágua, com instruções para incentivar a volta de Zelaya à presidência. Desde domingo, estão reunidos em Manágua os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, do Equador, Rafael Correa, e Ortega, além do próprio Zelaya, que foi levado à força por militares do país à Costa Rica.

 

Durante a noite os mandatários realizaram uma cúpula extraordinária da Alba, que é formada por Venezuela, Cuba, Bolívia, Nicarágua, Honduras, Dominica, Equador e as ilhas caribenhas São Vicente e Granadinas e Antígua e Barbuda. Na ocasião, Chávez condenou a situação, enquanto Correa pedia a outros governantes da região a mudarem suas agendas para "atenderem uma verdadeira emergência, como é o golpe de Estado".

 

O presidente nicaraguense esclareceu que será realizada uma cúpula da Alba, que se unirá à cúpula do Sica, que tem como membros República Dominicana, Guatemala, El Salvador, Costa Rica, Nicarágua, Belize, Panamá e Honduras. Para o fim da tarde está previsto um encontro que reunirá os participantes de tais cúpulas e delegados do Grupo do Rio para "tomar todas as medidas necessárias" na intenção de reverter o golpe", segundo Ortega. "Os golpistas em Honduras cometeram um ato de terrorismo, mas estão condenados ao fracasso, estão em um abismo", repudiou o anfitrião dos encontros.

 

Durante a madrugada do último domingo, Zelaya foi retirado de sua casa por militares e levado à Costa Rica. A ação foi considerada por diversos países como um golpe de Estado, enquanto o Congresso afirma que o mandatário violou o estado de direito. O governo hondurenho enfrentava nos últimos dias uma crise interna devido a uma proposta do mandatário de reformar a Constituição do país. No domingo, deveria ocorrer uma consulta popular sobre a reforma, que era considerada ilegal pelo Legislativo e Judiciário hondurenhos. O Parlamento designou ao cargo de presidente de Honduras o chefe do Congresso, Roberto Micheletti, após aprovar a renúncia do presidente. O mandatário, por sua parte, descartou a versão de sua renúncia, afirmando que o Congresso está por trás de "uma conspiração política com apoio militar".

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