Na OEA, Colômbia acusa Chávez de 'intervencionismo'

País pediu ao líder esquerdista que deixe de semear o ódio com seus recorrentes ataques verbais

Reuters e Efe, REUTERS

26 de agosto de 2009 | 18h10

A Colômbia levou na quarta-feira à Organização dos Estados Americanos (OEA) uma queixa contra o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, por supostamente intervir em seus assuntos internos, e pediu ao líder esquerdista que deixe de semear o ódio com seus recorrentes ataques verbais.

 

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É a primeira vez que Bogotá recorre à OEA em meio à atual crise diplomática, que na terça-feira levou Chávez a recomendar a seu chanceler que prepare o rompimento de relações com o país vizinho.

O motivo da crise é um acordo militar que está sendo negociado entre Colômbia e EUA, que daria a Washington acesso a sete bases militares colombianas. Chávez vê nesse acordo uma ameaça "imperialista" que poderia desatar uma guerra na América do Sul.

O embaixador colombiano na OEA, Luis Alfonso Hoyos, disse que "o projeto intervencionista" de Chávez viola os princípios fundamentais de não-ingerência e não-intervenção, consagrados nos estatutos da ONU e da própria OEA.

"Nossos povos precisam de seus governantes trabalhando pelo desenvolvimento e a eliminação da miséria, não semeando o ódio", disse o diplomata em sua intervenção numa reunião do Conselho Permanente da OEA em Washington.

"Não é semeando rancor e raiva que se constroem sociedades mais humanas. Não é desprezando os que pensam diferente que se constrói a democracia. Não é silenciando a imprensa e calando os jornalistas que se defende a liberdade de expressão", acrescentou.

A Colômbia formalizou sua queixa depois de no domingo Chávez anunciar a intenção de difundir suas mensagens na Colômbia, inclusive mencionando a necessidade de buscar forças aliadas, como o Polo Democrático Alternativo, partido que faz forte oposição ao governo de Álvaro Uribe.

O embaixador venezuelano na OEA, Roy Chaderton, respondeu à queixa colombiana alegando que seu país está sendo tratado como agressor, quando na verdade é vítima. "Nossa condição durante todos estes anos foi de vítima, de sujeito e de objeto do intervencionismo da oligarquia colombiana na Venezuela", disse.

Os EUA e a Colômbia dizem que o eventual acordo não representa ameaça a nenhum país vizinho, destinando-se apenas a combater o narcotráfico e o terrorismo. O assunto será debatido na sexta-feira por governantes sul-americanos em uma cúpula em Bariloche, na Argentina.

 

O enviado dos Estados Unidos para Assuntos do Hemisfério Ocidental Christopher J. McMullen qualificou de irresponsabilidade que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, fale de "ventos de guerra" na região e disse que o Governo americano também não quer bases militares "de nenhum país" na América Latina.

 

McMullen fez as declarações depois de se reunir com o ministro de Assuntos Exteriores uruguaio, Gonzalo Fernández, com quem conversou sobre o uso de bases militares colombianas por parte desse país.

 

O assistente do subsecretário de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado do Governo do presidente Barack Obama está em Montevidéu em uma visita-relâmpago que também o levará a Buenos Aires para conversar sobre o polêmico acordo segundo o qual o Exército americano poderá usar até sete bases militares colombianas.

 

Ele disse à imprensa uruguaia que os EUA entendem e inclusive compartilham da posição do Governo de Montevidéu, que não vê com bons olhos a instalação dessas bases, e ressaltou que os Estados Unidos só desejam usar as estruturas "para colaborar com esse país na luta contra a guerrilha e o narcotráfico".

 

"É um acordo-marco de segurança com a Colômbia, que trata da luta contra as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e outros grupos armados, e também da luta contra o narcotráfico", disse.

 

Resposta

 

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, negou que desenvolva um projeto "expansionista", como acusa a Colômbia, e reiterou sua intenção de promover "bases de paz" nos dois países para "neutralizar qualquer pretensão" de levá-los a uma guerra.

"É o cúmulo do cinismo, eles (Colômbia) que vão instalar sete bases ianques, emprestando o território sagrado da Colômbia para o expansionismo imperial, agora me acusam de expansionismo", declarou Chávez.

"Isso não é nenhum expansionismo. O povo colombiano tem direito de saber a verdade", declarou Chávez.

O chefe de Estado venezuelano disse hoje que Bogotá quer "desviar a atenção" e desprestigiar sua "maravilhosa ideia" de instalar "bases de paz" em ambos os países.

 

O presidente da Venezuela fez essas afirmações em reunião no palácio de Governo, em Caracas, transmitida pela televisão estatal.

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