Na OEA, Equador acusa Colômbia de ter mentido sobre ataque

Colômbia reitera 'desculpas públicas' e pede que comissão investigue relação de Chávez com a guerrilha

Reuters e BBC Brasil,

04 de março de 2008 | 19h01

O Equador acusou nesta terça-feira, 4, ao Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) a Colômbia de realizar uma "violação planejada e premeditada" de sua soberania. O país pediu ao conselho que condene a incursão da Colômbia em seu território para bombardear, no fim de semana, um acampamento das Farc, e cobrou que haja uma reunião de emergência de ministros de Relações Exteriores do hemisfério.  Veja também:Dê sua opinião sobre o conflito   Por dentro das Farc Entenda a crise entre Colômbia, Equador e Venezuela  Histórico dos conflitos armados na América do Sul   Farc tentavam obter material radioativo, diz Colômbia Venezuela anuncia fechamento da fronteira com a ColômbiaLula pede investigação da OEA sobre crise Colômbia-EquadorAnálise: 'É possível que as Farc se desarticulem'   Ouça relato de Expedito Filho, enviado especial ao Equador   A ministra das Relações Exteriores do Equador, María Isabel Salvador, fez as petições numa reunião extraordinária convocada após o incidente, que gerou uma grave crise diplomática entre ambos os países e envolveu a Venezuela. A ministra também pediu que uma missão investigue os fatos relacionados ao bombardeio e que a reunião de chanceleres seja convocada para, no mais tardar, em 11 de março. María Isabel pediu, entretanto, uma solução "pacífica" para o conflito e condenou as atividades das Farc. Na reunião, a Colômbia justificou sua ação militar do fim de semana, alegando que se tratou de uma operação contra o terrorismo, e pediu que se investigue a suposta ligação dos rebeldes com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. O governo colombiano reiterou que dados encontrados em computadores do acampamento atacado indicam que Chávez deu armas e dinheiros aos rebeldes.  O embaixador colombiano na Organização dos Estados Americanos (OEA), Camilo Ospina, pediu desculpas pelo bombardeio que matou o dirigente guerrilheiro Raúl Reyes, mas afirmou que o objetivo era combater uma "máfia narcotraficante" e que seu país tem "sérios indícios" de que há outros acampamentos das Farc no Equador. "Meu país reclama que as coisas sejam chamadas por seu nome: as Farc são uma máfia narcotraficante, que de maneira nenhuma representa os interesses do povo colombiano. São uma máfia sem pátria", disse o diplomata.  O embaixador disse que a ação militar está respaldada por uma resolução da ONU contra o terrorismo. Ele também criticou a suposta falta de empenho de Caracas e Quito na repressão à guerrilha. "Que coragem demonstraram os presidentes de Equador e Venezuela para expulsar nossos embaixadores representantes de uma democracia legítima! Quem dera demonstrassem semelhante coragem para expulsar os terroristas do seu território", afirmou.  O embaixador da Venezuela na OEA, Jorge Valero, respaldou as propostas do Equador de criar uma comissão para investigar como ocorreu a "violação do território equatoriano". "Não devemos permitir que o tema central deste debate seja desviado. Não podemos permitir que o agredido passe a ser agressor (...). Devemos rechaçar e pirotecnia diplomática fundamentada em falácias e mentiras para desviar a natureza grave dos fatos", disse Valero.  No Peru, antes de embarcar para o Brasil, o presidente equatoriano, Rafael Correa, disse que Uribe "pisoteou" o direito internacional ao realizar o ataque. "Este é um problema regional", disse Correa. "Se este ato ficar impune, toda a região estará em perigo, porque mais tarde a vítima pode ser o Peru, pode ser o Brasil, pode ser a Venezuela, pode ser a Bolívia, pode ser qualquer um de nossos países."  Correa está visitando cinco países americanos para defender a versão equatoriana da crise diplomática. Ele irá se reunir nesta quarta-feira, em Brasília, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva Doutrina belicista  Mais cedo, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, disse que seu país "jamais teve uma doutrina belicista" ou foi "um país em guerra com seus vizinhos". Uribe disse que o governo colombiano tem um só objetivo: restabelecer a ordem pública no país após mais de 40 anos de atividade dos rebeldes das Farc.  Depois do incidente, Chávez anunciou o envio de tropas para a fronteira com a Colômbia, em apoio ao Equador, seu aliado. Ambos os países romperam relações diplomáticas com Bogotá. Nesta terça-feira, as tropas venezuelanas e equatorianas continuaram chegando à fronteira. "Nosso único interesse é a recuperação da ordem pública interna", disse Uribe. "Por isso, não mobilizamos tropas, nem avançamos para uma guerra com vizinhos. Nossa determinação é total contra o terrorismo, que tanto nos afeta." Pela manhã, o presidente colombiano disse que o país vai apresentar queixa no Tribunal Penal Internacional contra Chávez, acusando-o de "patrocínio e financiamento de genocidas".  Em Genebra, onde participou de uma conferência da ONU, o vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos, acusou os rebeldes das Farc de tentarem adquirir material radioativo para fazer uma "bomba suja".  As Farc anunciaram que Raúl Reyes será substituído por outro guerrilheiro, Joaquím Gómez, como membro do Estado Maior da organização.      

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