Na véspera de referendo, Chávez expulsa eurodeputado

Espanhol Luis Herrero criticou ampliação do horário de votação e chamou o presidente de ditador

Agências internacionais,

14 de fevereiro de 2009 | 06h46

O eurodeputado espanhol Luis Herrero foi expulso da Venezuela na noite de sexta-feira logo após fazer chamar o presidente Hugo Chávez de ditador e criticar Conselho Nacional Eleitoral (CNE) venezuelano. Herrero estava na Venezuela, junto com outros políticos europeus convidados pelo opositor Partido Social-Cristão (Copei) para acompanhar o referendo sobre a emenda constitucional que pode permitir a reeleição ilimitada de Chávez, que acontece neste domingo. Herrero partiu em um voo com destino à cidade de São Paulo, segundo afirmaram fontes da delegação do Partido Popular Europeu. Veja também:A dinastia Chávez  Conheça os programas sociais apoiados por Hugo Chávez Veja os possíveis cenários criados pelo referendo de Chávez Processos eleitorais na Venezuela na presidência de Chávez Em declarações dadas à cadeia local Globovisión, Herrero criticou, entre outras coisas, a decisão do CNE de fixar o fechamento dos centros de votação às 18h (20h30, Brasília) em vez das 16h (18h30), como em ocasiões anteriores. Segundo ele, a ampliação "não se justifica" e argumentou que ela poderia ser fruto de "manobras não democráticas". A presidente do CNE, Tibisay Lucena, fez público o pedido ao Ministério das Relações Exteriores através de um discurso de rádio e televisão transmitido a todo o país. Lucena disse que as declarações de Herrero foram uma "agressão" contra o CNE e contra a Venezuela. Por isso, pediu "ao Executivo que cumpra" a solicitação de expulsão do eurodeputado. Membros da delegação foram ao aeroporto da cidade Maiquetía, a cerca de 30 quilômetros de Caracas, para entregar a Herrero seus pertences. Quando chegaram lá, receberam a confirmação de que o político já tinha embarcado com destino ao Brasil. "Ele não teve a oportunidade de recolher seus pertencem nem seu passaporte. Veio uma comissão policial e o levaram pela força. Os funcionários foram logo ao hotel para buscar suas malas e documentos", afirmou Luis Ignacio Planas, secretário do partido opositor. O eurodeputado Carlos Iturgaiz, que fazia parte da delegação espanhola, qualificou de "sequestro" o ocorrido em Caracas, quando, segundo ele, vários membros da polícia irromperam no hall do hotel onde estavam e levaram seu colega sem dar explicações. Iturgaiz denunciou o tratamento recebido por Herrero que, de acordo com ele, tem imunidade parlamentar, e tinha viajado para Caracas com uma delegação oficial do PPE.  Qualquer que seja o resultado das urnas neste domingo, o referendo venezuelano sobre a reeleição será decisivo tanto para o futuro do chavismo quanto da oposição. Cerca de 14 milhões de venezuelanos votarão para permitir ou rejeitar o fim do limite à reeleição para cargos públicos - incluindo o do presidente Hugo Chávez. Segundo a BBC, se o "sim" vencer, Chávez poderá trabalhar oficialmente com a possibilidade de permanecer no poder "até 2030", como já declarou - embora ainda tenha de se submeter ao voto popular em 2012. Matéria atualizada às 8h40.    

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