'Nada justifica um golpe de Estado', dizem EUA sobre Honduras

Subsecretário americano para o Ocidente diz que solução da crise depende de um governo de unidade

Denise Chrispim Marin, de O Estado de S. Paulo,

14 de dezembro de 2009 | 16h20

O subsecretário de Estado dos EUA para o Hemisfério Ocidental, Arturo Valenzuela, afirmou nesta segunda-feira, 14, para a imprensa brasileira que a solução da crise política de Honduras depende da criação de um governo de unidade nacional, da determinação sobre a restituição ou não do presidente Manuel Zelaya em seu cargo e a composição de uma comissão para tratar do aperfeiçoamento democrático do país, mas acrescentou que qualquer solução deverá trazer uma clara mensagem de que "nada justifica um golpe de Estado".

 

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Sobre o destino de Zelaya, que foi deposto em 28 de junho e está abrigado na embaixada brasileira em Tegucigalpa desde o último dia 21 de setembro, Valenzuela afirmou que espera que ele deixe logo a representação do Brasil "ainda como presidente de Honduras". Ou seja, sem ter de pedir asilo político e antes de 27 de janeiro, quando tomará posse o seu sucessor.

 

Valenzuela reuniu-se com os jornalistas brasileiros logo depois de conversar com o assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, por cerca de 1h30. Conforme afirmou, os EUA aliaram-se aos demais países das Américas na condenação ao golpe que destituiu Zelaya, em 28 de junho, e na decisão de suspender Honduras da Organização dos Estados Americanos (OEA). Em concordância com a posição brasileira, ressaltou que o golpe foi um ato intolerável e abriu um "precedente" que pode causar enormes danos. "Não há desculpas para a destruição da ordem democrática", afirmou.

 

Valenzuela, entretanto, defendeu que a eleição presidencial de 29 de novembro passado, que definiu Porfírio "Pepe" Lobo como futuro presidente do país, "não pode ser desqualificada". O governo brasileiro resiste em legitimar esse processo. Conforme insistiu, o processo eleitoral começou em novembro de 2008 - antes, portanto, do golpe - e foi marcado pela presença da maioria dos candidatos originais. Lembrou que, para os EUA, a eleição foi um "passo necessário para a solução" da crise política no país. Mas não é suficiente para a restauração da Democracia em Honduras. "O próximo presidente será Pepe (Lobo)", insistiu.

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