Não é delito ter colaborado com Pinochet, diz Piñera em debate

Conservador descarta nomear ex-colaboradores da ditadura; Eduardo Frei se apega à popularidade de Bachelet

estadao.com.br,

12 de janeiro de 2010 | 09h00

Piñera e Frei se preparam para último debate da campanha chilena. Foto: Ivan Alvarado/Reuters

SANTIAGO - Os candidatos à Presidência do Chile, Eduardo Frei e Sebastián Piñera, protagonizaram na noite de segunda-feira, 11, o último debate antes da eleição de domingo. Enquanto Frei tentou colar sua imagem a da atual presidente de centro-esquerda, Michelle Bachelet, que tem 81% de aprovação, o conservador Piñera prometeu não utilizar antigos colaboradores da ditadura de Augusto Pinochet no governo.

"Não é um delito nem um pecado ter colaborado de forma leal e honesta com o regime de Pinochet, desde que não tenham sido cometidas violações aos direitos humanos", disse Piñera.

Frei, por sua vez, prometeu dar continuidade ao programa da "Concertación", coalizão de centro esquerda no poder desde o fim da ditadura em 1990."Vamos ser os grandes continuadores da presidente (Michelle) Bachelet na etapa que vem agora", anunciou o ex-presidente, e governou entre 1994 e 2000.

Com a esperança de convencer os eleitores que em 13 de dezembro, no primeiro turno, votaram pelo independente Marco Enríquez-Ominami, em branco ou nulo, os candidatos se submeteram durante quase duas horas a uma bateria de perguntas feitas por seis jornalistas no único confronto televisivo cara-a-cara do pleito.

Embora as pesquisas prevejam uma luta dura e as equipes eleitorais disputem cada voto, muitos analistas acreditam que o resultado do debate não vai interferir significativamente no balanço do próximo domingo.

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O senador Frei, que no primeiro turno obteve 14 pontos a menos que Piñera, conquistou nos últimos dias o apoio de organizações sociais, religiosas e sindicais em uma tentativa de virar a disputa.

"Entendemos a mensagem que os chilenos nos passaram no dia 13 de dezembro. Assim como o Chile cresceu, também há problemas que devem ser corrigidos. Por isso, hoje representamos todas as forças progressistas e democráticas", ressaltou o aspirante da coalizão de centro-esquerda que governa desde o fim da ditadura de Pinochet, em 1990.

"O senador Frei já foi presidente e eu acho que não fez um bom governo. Hoje o Chile necessita um governo muito melhor, por isso chegou o tempo da mudança do futuro e a esperança", replicou o candidato da Coalizão pela Mudança, integrada majoritariamente por partidos da direita.

Com informações da Efe

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