'Não há mais futuro para a luta armada', diz Celso Amorim

Ministro das Relações Exteriores transmitiu relato do presidente Lula sobre libertação de reféns na Colômbia

Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2008 | 20h40

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerou "excelente" o desfecho do seqüestro da ex-senadora colombiana Ingrid Betancourt, libertada nesta quarta-feira, 2, do cativeiro, segundo relato feito pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Amorim avaliou que "não há mais futuro para a luta armada" no continente. O chanceler pediu que o governo colombiano conceda os mesmos benefícios de anistia concedida a grupos paramilitares da Colômbia aos integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "Não há dúvidas de que as Farc estão enfraquecidas. Agora, terminar integralmente com o movimento, é algo complexo que exige negociação", afirmou. Veja também:Exército colombiano anuncia o resgate de Ingrid Betancourt Resgate foi absolutamente impecável, diz IngridQuem são os ex-reféns libertados pelo Exército colombianoEUA elogiam operação de resgateRice pede às Farc que libertem outros refénsResgate de Ingrid é vital para a paz, diz EvoFarc devem selar paz com Uribe, diz embaixadorO drama de IngridDepoimento dos filhos de Ingrid (em espanhol)  Amorim relatou que o presidente Lula recebeu a notícia de libertação de Ingrid Betancourt durante audiência com He Guoqiang, membro do Comitê Permanente do Bureau Político do Comitê Central do Partido Comunista da China. O ministro disse que o modo como ocorreu a liberação de Ingrid Betancourt, "aparentemente" sem mortes, é uma das possibilidades discutidas nos encontros e conversas do governo brasileiro no exterior. No mês passado, autoridades francesas voltaram a pedir ajuda do Brasil para resgatar Ingrid Betancourt. "Sempre dissemos que ajudaríamos, mas tínhamos dificuldades, pois o governo brasileiro não tinha contato com as Farc", disse. Amorim avaliou que a questão da guerrilha na Colômbia é uma ferida. "Eu creio que esta libertação sem mortes é muito positiva. O governo brasileiro felicita o governo colombiano pela operação aparentemente sem que tenha havido mortes, e isso demonstra eficiência do aparelho colombiano." Lula deve entrar em contato nos próximos dias com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. O assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, que chegou a participar pessoalmente de tentativas de libertação, disse que se sentia aliviado.

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