'Não somos amigos, somos todos irmãos'

Mineiros relatam ao jornal 'El País' como foi período de confinamento e fazem planos para o futuro

estadão.com.br,

14 de outubro de 2010 | 19h52

Piñera posa com os 33 mineiros resgatados ontem no hospital de Copiapó, norte do Chile

 

COPIAPÓ, CHILE- Depois de serem resgatados, os 33 mineiros que ficaram mais de dois meses presos em uma mina no norte do Chile apresentam em geral um bom estado de saúde, e estão em sua maioria "radiantes", segundo uma reportagem da versão online do jornal El País desta quinta-feira, 14, que conversou com alguns deles.

 

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Segundo o diário, Jimmy Sánchez, de 19 anos, o mais jovem do grupo, estava um pouco afetado psicologicamente. O mais velho do grupo, Mario Gómez, de 62 anos, é o único que está doente, com pneumonia. Sua mulher diz que nunca mais vai deixá-lo entrar em uma mina.

 

Richard Villarroel, de 26 anos, que chegou como turista em Copiapó e nunca teve coragem de dizer a sua mãe que trabalhava em uma mina, contou como foi sua viagem no túnel de 622 metros que o levou à superfície em cerca de 15 minutos: "Gritei em toda a viagem. Gritei muitas vezes: 'viva Chile, Mierda!'. Gritei com todas as minhas forças".

 

Raúl Bustos se abraçava incessantemente a sua noiva, Carola. "Sei que a imprensa lá fora está muito ansiosa. Em algum momento, teremos que sair para acalmá-los, porque também precisamos agradecer muito a eles. Mas também precisamos de um pouquinho de espaço", disse.

 

Victor Zamora, o que escreveu que estava muito bem na mina porque ali ninguém podia obrigá-lo a tomar banho, disse com suas unhas negras escondidas nos bolsos do avental: "Não somos amigos, somos todos irmãos".

 

Claudio Yáñez, ao lado do pastor evangélico que os enviou as minibíblias, prometeu que a partir de agora procuraria ir rezar pelo menos uma vez por semana. Ao seu lado, Juan Illanes disse que ficaria feliz se outra mina caísse em cima dele de novo. "Porque pelo menos, já saberia o que tem de ser feito", disse, antes de dar gargalhadas.

 

Sem humor, depois, disse que a experiência lá embaixo foi insuportável, e que já tem planos para o futuro: "Vamos eleger alguém que nos represente na imprensa, e também alguém que administre nossos possíveis ganhos (...). Há um número (o 33) que já está associado a nós. E queremos tirar partido disso agora. Temos que ordenar as ideias e depois nos juntarmos, mas queremos fazer algo conjunto".

 

Edison Fernando Peña, de 34 años, comentou que a partir de agora gostaria de dar aulas de superação pessoal. "Aprendemos muito lá embaixo. Aprendemos, por exemplo, a contar muito mais com nossas famílias. E todo esse mel que aprendemos, queremos derramá-lo sobre as pessoas".

 

O mineiro recordou que um dois piores momentos que viveu foi quando a mina desabou, e era impossível enxergar e ouvir qualquer coisa. "Pensei que não íamos ver mais nada nunca mais". Para matar a ansiedade, ele corria dez quilômetros diários nos escassos 800 metros que separam o refúgio do resto da mina.

 

Sua mulher, Angélica Álvarez, de 43 anos, afirmou que Edison viajou de Santiago a Copiapó somente por amor. "Deixou tudo lá, pai, mãe, irmãos, trabalho, para vir pra cá. Veio para ficar comigo. Fui eu que consegui trabalho para ele nessa mina. "Minha negra sempre esteve comigo", disse Edison.

 

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