Negociações na Bolívia entram no segundo dia

O presidente Evo Morales eos governadores bolivianos retomaram na sexta-feira o diálogopara tentar superar a crise política que deixou o país à beirado caos. A oposição disse que qualquer acordo levará algumtempo, e que não adianta o governo ter pressa. O diálogo com os governadores de oito dos novedepartamentos (Estados) em Cochabamba (região central) foiiniciado na quinta-feira com uma sessão de 16 horas, em que foidecidida a criação de três comissões de trabalho. A crise boliviana se deve à resistência da oposição,especialmente no leste do país, a uma nova Constituição com aqual o socialista Morales pretende ampliar os direitos damaioria indígena, aumentar a presença do Estado na economia epromover uma reforma agrária. A oposição de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija exigeautonomia para esses departamentos e a devolução de um impostosobre o gás e petróleo extraído nessas regiões, que Moralestransferiu ao governo nacional para financiar uma renda mínimapara idosos. Centenas de camponeses e mineiros seguidores de Moraleschegam na sexta-feira a Cochabamba, fazendo a oposição sesentir pressionada para que as negociações durem menos que os30 dias estipulados, um desejo que o presidente já manifestou. "O importante é que o país tem que saber que conseguimosiniciar o diálogo", disse o governador de Tarija (sul), MarioCossio, que admitiu que um acordo definitivo ainda vai demorar. Morales, que participou das negociações até pouco antes de0h de sexta-feira, viajou pela manhã ao Panamá, onde receberiauma homenagem, e deve regressar à Bolívia no fim da tarde. Seguidores do governo mantêm o bloqueio de rodovias emSanta Cruz, no leste, a região mais próspera da Bolívia e oprincipal reduto da oposição. Por causa dos protestos de ambas as partes, várias empresascancelaram sua participação em uma importante feiraagro-industrial que será inaugurada na noite de sexta-feira emSanta Cruz. PANDO O ministro de Governo, Alfredo Rada, comunicou a descobertade mais dois cadáveres de vítimas da chacina da semana passadaem Pando, o incidente mais violento da atual onda de protestosno país, que levou também à ocupação de prédios públicos e àparalisação momentânea da exportação de gás para o Brasil e aArgentina. Na sexta-feira passada, o governo decretou estado de sítioem Pando, e dias depois prendeu o governador oposicionistalocal, acusado de ordenar o massacre. Na quinta-feira, aJustiça negou pedido de liberdade para o governador LeopoldoFernández. Com os dois mortos relatados, sobe a 19 o número oficial demortos no incidente. (Colaborou Luis Jaime Acosta)

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