Néstor Kirchner aparece em público pela 1ª vez após derrota

Última aparição havia sido no dia 15 quando liderou a mobilização em defesa da política do governo

Efe,

26 de julho de 2008 | 01h07

O ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner reapareceu nesta sexta-feira, 25, em um ato público junto à sua esposa e sucessora, Cristina Fernández Kirchner. É a primeira aparição após a derrota parlamentar sofrida pelo governo na semana passada, que suscitou a mais grave crise política do país em cinco anos. O presidente do Partido Justicialista (PJ, peronista) e Cristina Fernández apareceram juntos em um ato organizado na província de Buenos Aires, acompanhados pelos ministros do Interior Florencio Randazzo, e de Planejamento, Julio de Vido, um dos funcionários mais polêmicos e questionados do governo. "Poderá haver batalhas perdidas, poderá haver derrotas momentâneas, mas a história é escrita pelas pessoas; não duvidem disso", afirmou a presidente durante um ato em homenagem a María Eva Duarte, "Evita", segunda esposa do três vezes presidente Juan Domingo Perón. A chefe de Estado elogiou em várias ocasiões Evita e considerou que não é preciso "ter um cargo para cumprir com Deus e a Pátria", mas "isso se cumpre de qualquer lado", já que "só é preciso o compromisso com memória, justiça e verdade". Em seu discurso, a presidente evitou referir-se à crise do Executivo após a rejeição do Senado à alta de impostos para o setor agrário que desencadeou a renúncia do chefe de Gabinete e evidenciou a fratura dentro do peronismo. Cristina Fernández fez várias referências a seu marido, que se manteve em silêncio na mesa presidencial, e a quem se referiu como "queridíssimo ex-presidente da Argentina, presidente do Partido Justicialista e companheiro durante mais de 30 anos". "Sou o primeiro cavalheiro", se limitou a comentar um sorridente Néstor Kirchner. O ex-presidente tinha aparecido em público pela última vez no último dia 15, quando liderou uma mobilização em Buenos Aires em defesa da política do governo no conflito com o campo, às vésperas do debate no Senado que pôs fim à alta de impostos agrícolas, dando passagem à maior crise política do país desde que o ex-presidente assumiu o poder, em maio de 2003. Apesar de o governo contar com a maioria no Congresso e no Senado, a Câmara Alta rejeitou o projeto governamental com o voto decisivo do vice-presidente do país, Julio Cobos. A partir daí se multiplicaram os rumores sobre possíveis mudanças no governo, e alguns meios de comunicação chegaram a especular inclusive a possível renúncia da presidente. A crise chegou ao seu pior momento na quarta-feira, com a renúncia do chefe de Gabinete Alberto Fernández, e o anúncio da nomeação do jovem peronista Sergio Massa, que tomou posse na quinta-feira.

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