EFE
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Néstor Kirchner vota e destaca importância das eleições

Após votar, ex-presidente argentino declarou que no plebiscito está em jogo modelo econômico do país

Marina Guimarães, da Agência Estado

28 de junho de 2009 | 10h20

O ex-presidente Néstor Kirchner, candidato a deputado pela Província de Buenos Aires, acaba de votar nas eleições parlamentares consideradas um plebiscito da gestão de sua esposa, Cristina Kirchner, e do modelo de governo iniciado por ele, em maio de 2003. Kirchner fez fila como os demais eleitores em um dos colégios de Vicente Lopéz, perto da residência oficial de Olivos, onde vive com a presidente. Vestido informalmente com um casaco de couro, Kirchner praticamente não teve esperar, mas teve tempo para conversar discretamente com os eleitores na fila, respeitando a lei que proíbe a campanha política nesse dia.

 

Na saída, Kirchner deu uma rápida entrevista à imprensa, onde destacou a importância das eleições e voltou a indicar que está em jogo o modelo econômico do país. "Vivo esta jornada cívica como um bom democrata, como todos os argentinos. É muito importante. Argentina está diante uma instância decisiva: a consolidação da transformação, da mudança no país", afirmou. "Somos otimistas e me dá muito prazer que o povo esteja participando", ressaltou, afirmando que vai passar o resto do dia em família, na quinta de Olivos. "Vou esperar Cristina regressar de Santa Cruz, onde está votando, depois vamos almoçar em família, como sempre", disse Kirchner. Ele destacou ainda que sua mensagem "é de amor, de convivência e de que seguimos construindo a Argentina".

 

O ex-presidente disputa uma vaga no distrito eleitoral mais importante do país, a província de Buenos Aires (que não inclui a cidade do mesmo nome, a capital federal). Com 37% dos votos de todo o país, a Província de Buenos Aires define o poder no país.

 

Em sua campanha eleitoral, o candidato e sua esposa deram o tom de um plebiscito às eleições durante seus inúmeros discursos. "Existem dois modelos em jogo e os argentinos devem escolher: ou aprofundamos as mudanças realizadas pela presidente Cristina Kirchner ou voltamos ao inferno da crise de 2001", costumam afirmar. Segundo o casal presidencial, ou eles ganham as eleições parlamentares, ou o país voltará ao caos da crise econômica e política.

 

A partir da apuração dos votos, começa a revelar as duas incógnitas políticas vitais para os próximos meses. Uma delas é com que poder o governo de Cristina vai poder contar para administrar o país em crise econômica e quais os políticos que vão permanecer ao seu lado. Com estas definições, Néstor também vai saber se tem condições de continuar na corrida presidencial até 2011.

 

Néstor compete diretamente com o milionário empresário e deputado Francisco De Narváez , um peronista dissidente que formou uma aliança com o Proposta Republicana (PRO), partido de centro-direita liderado pelo prefeito da cidade de Buenos Aires, Mauricio Macri, com claras intenções de ser candidato à Presidência em 2011.

 

As pesquisas apontam para uma disputa acirrada entre Néstor e Francisco, mas ambos seriam eleitos hoje. A questão é quantos deputados cada um deles vai poder eleger para apoiá-lo no Congresso. A votação deste domingo vai decidir a composição do Congresso a partir de dezembro, quando assumem os cargos, e quem serão os "presidenciáveis".

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