Iván Franco/Efe
Iván Franco/Efe

Neto de caudilho, ex-presidente Lacalle se diz 'nacionalista'

Conservador 'duro de matar', uruguaio volta à carreira política após denúncias de corrupção

Reuters e Ariel Palacios, de O Estado de S. Paulo,

27 Novembro 2009 | 15h16

Pouco depois de deixar seu cargo como presidente do Uruguai na primeira metade da década de 90, o centro-direitista Luis Alberto Lacalle se viu atingido por acusações de corrupção contra membros de seu governo e até sua mulher, o que parecia marcar o final de sua carreira política. Mesmo assim, o advogado de 68 anos do conservador Partido Nacional, que gosta de se comparar com o personagem encarnado por Bruce Willis na série de cinema "Duro de Matar", conseguiu distanciar-se desses casos e é agora disputa o segundo turno nas eleições no Uruguai.

 

Lacalle, que aplicou em sua gestão políticas liberais, propõe a derrogação de alguns impostos, um controle mais eficiente dos gastos públicos e uma melhora na segurança pública, o tema que mais foi questionado pelos partidos de oposição ao governo.

 

Lacalle é neto de Luis Alberto de Herrera, um dos mais famosos caudilhos do Partido Nacional (Branco) do século 20. Na trilha aberta pelo avô, militou na política desde os 18 anos, quando se filiou ao Partido Nacional. Nos anos 70, foi detido pela ditadura durante umas poucas semanas. Libertado, integrou os movimentos de oposição aos militares. Em 1978, a ditadura tentou envenenar seu vinho, mas, alertado por sua esposa, Julia Pou, não experimentou a bebida. Um colega seu havia recebido uma

garrafa igual.

 

Com a volta da democracia foi eleito deputado e senador. Em 1989, venceu as eleições presidenciais com 22,57% dos votos (na época, não havia segundo turno). Em 1990, deu início a um governo que causou polêmica com tentativas de privatizações - um tabu na sociedade uruguaia, acostumada à uma economia com forte presença estatal.

 

"A minha vida política não vai terminar nunca", disse em uma entrevista recente com o diário local El Observador. Como fez anteriormente, Lacalle tenta voltar ao governo. Em 2004, perdeu as eleições primárias do partido para seu atual vice, Jorge Larranaga, posteriormente derrotado pelo atual líder do governo, o socialista Tabaré Vazquez. Ainda assim, ficou em terceiro lugar nas eleições de 1999.

 

O governo de Lacalle "foi um governo de um êxito relativo, porque as condições internacionais eram favoráveis. Terminada sua presidência, surgiram denúncias de corrupção que deixaram um rastro de suspeita muito grande. Isso o acompanhou e o desprestigiou", diz o analista Juan Carlos Doyenart. "Muitos pensaram que era um candidato que não voltaria, que havia perdido todo o seu potencial, mas ainda assim ressurgiu como a Ave Fénix voltas das cinzas", completou.

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