Nicarágua e Esso não entram em acordo sobre petróleo

Presidente sandinista quer que a empresa armazene e refine todo o petróleo vindo da Venezuela

Efe e Reuters

11 de dezembro de 2007 | 04h28

O governo da Nicarágua não conseguiu chegar a um acordo com a companhia norte-americana Esso, proprietária da única refinaria do país, sobre a proposta de nacionalizar a importação de petróleo.   Contudo, o presidente do país Daniel Ortega assegurou, em uma coletiva de imprensa, que falta apenas "acertar" certos "detalhes" para que o país possa receber 10 milhões de barris de petróleo anuais da Venezuela. O governante não especificou os detalhes que faltam.   Ortega, acompanhado de sua equipe econômica e do "número três do FMI", Murilo Portugal, acrescentou que a reunião de segunda-feira, 10, com os representantes da petroleira avançou sobre o possível acordo.   O líder sandinista, dirigindo-se ao alto funcionário do FMI, disse que seu governo enfrenta "dificuldades para receber integralmente o petróleo que a Nicarágua necessita anualmente e que a Venezuela está disposta a entregar".   Ortega reafirmou que, caso alcance esse acordo, a Nicarágua receberia a partir do próximo ano 10 milhões de barris de petróleo, e não dois milhões de barris de cru.   O governo da Nicarágua propôs à companhia norte-americana que permita a importação, armazenagem e refinação de todo o cru que venha da Venezuela.   O presidente nicaragüense que tem usado a expressão "nacionalizar a importação de petróleo", tem dito que a proposta não significa que vão "confiscar ou desapropriar a refinaria" Esso, apenas que processe todo o óleo cru importado da Venezuela para conter a crise energética que sofre a nação centro-americana.   O governo sandinista, que ainda não explicou os benefícios que oferecem a transnacional norte-americana, ainda reitera que não serão afetados os interesses da petroleira em suas operações de comercialização nem de refinamento.     Acordo com a Venezuela   O acordo petroleiro com a Venezuela estabelece um suprimento anual de até 10 milhões de barris, mas neste ano chegaram apenas 2 milhões de barris pela falta de capacidade de armazenamento. A Nicarágua paga 50 por cento do petróleo a um prazo de 90 dias e o restante em 25 anos, com dois anos de isenção e um por cento de juros.   A Esso é a única companhia na Nicarágua que possui uma refinaria de petróleo e tanques para armazenamento em grandes quantidades.   Os dois milhões de barris de petróleo venezuelano que foram importados durante este ano foram armazenados em tanques da estatal Petróleos da Nicarágua (Petronic).   Em agosto último, foram ocupados sete depósitos da Esso, onde foram armazenados 120 mil barris de combustíveis, previamente embargados pelo governo por uma suposta dívida tributária, já resolvida.   Ortega havia acusado a companhia norte-americana de não cooperar na solução do problema energético do país ao se negar a refinar o petróleo venezuelano e a emprestar seus tanques para armazená-lo, tal como, segundo foi dito, não aconteceu durante o primeiro governo sandinista (1979-1990).   Conforme a Reuters, em 2006 a economia da Nicarágua, o país mais pobre da América depois do Haiti, se expandiu 3,7 por cento e a inflação foi de 9,2 por cento.    

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