Nicarágua rompe relações com a Colômbia e crise se agrava

Equador pediu ao Grupo do Rio que condene a invasão colombiana do fim de semana em seu território

IVÁN CASTRO, REUTERS

06 de março de 2008 | 20h40

A Nicarágua rompeu nesta quinta-feira, 6, relações com a Colômbia, agravando a crise no norte da América do Sul, enquanto o Equador pediu ao Grupo do Rio que condene a invasão colombiana do fim de semana em seu território. Quito e Caracas já haviam rompido relações com Bogotá depois da ação militar que levou à morte de 23 guerrilheiros do grupo colombiano Farc, inclusive seu dirigente Raúl Reyes.  Veja também:OEA: falta muito para resolver impasse Chávez protegeria nº 1 das Farc, diz rádioLula classifica de madura decisão da OEA sobre conflito regionalResolução diz que Colômbia violou soberania do EquadorColômbia exibe imagens da incursão militar  Dê sua opinião sobre o conflito   Por dentro das Farc Entenda a crise   Histórico dos conflitos armados na região  'É possível que as Farc se desarticulem'   Embaixador brasileiro Osmar Chohfi comenta decisão da OEA  "É hora de tomar decisões. Tomara que todos tenhamos consciência, irmãos da América Latina, que este não é um problema bilateral entre Colômbia e Equador", disse o presidente equatoriano, Rafael Correa, ao fazer o apelo para que a cúpula do Grupo do Rio, marcada para sexta-feira na República Dominicana, censure a Colômbia. Os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Nicarágua, Daniel Ortega, disseram ter rompido relações com a Colômbia em apoio ao aliado esquerdista Correa e porque, assim como o Equador, vêem suas soberanias ameaçadas por Bogotá. Equador e Venezuela mobilizaram tropas para as respectivas fronteiras com a Colômbia. Recebendo Correa em Manágua, o presidente sandinista Daniel Ortega explicou que sua decisão de romper relações se deve também a uma antiga disputa territorial. A Nicarágua reivindica na Corte Internacional de Haia a soberania sobre as ilhas San Andrés, Providencia, Santa Catalina, Quitasueño, Roncador, Serrana e Serranilla, todas no Caribe, bem como o seu espaço marítimo circundante. "Em solidariedade ao povo equatoriano e [por causa das] das reiteradas ameaças militares por parte do governo colombiano, a Nicarágua anuncia e informa que rompe relações diplomáticas com a Colômbia", disse Ortega em entrevista coletiva ao lado de Correa. Além de deslocar tropas para a fronteira, a Venezuela ameaçou na quarta-feira nacionalizar bens de empresas colombianas no país. Caracas também reduziu ao essencial o comércio com o país vizinho, que habitualmente movimenta 6 bilhões de dólares por ano, mas deve ser bastante afetado. A ameaça golpeou duramente a Bolsa da Colômbia, especialmente empresas do setor alimentício. O embaixador da Colômbia na Organização dos Estados Americanos (OEA), Camilo Ospina, ameaçou recorrer às cortes internacionais caso Chávez cumpra a ameaça de nacionalização. A OEA aprovou na quarta-feira uma resolução que lamenta a violação da soberania equatoriana, mas sem condenar a Colômbia. Não satisfeito, Correa disse que o Equador está disposto a ir "às últimas consequências" para obter uma condenação internacional a Bogotá. "Temos de tomar decisões amanhã [na cúpula de] Santo Domingo: condenar claramente a agressão colombiana ao Equador e obrigar esse governo a que nunca mais se atreva a agredir um país irmão", disse Correa na Nicarágua. Correa, Chávez e Uribe já confirmaram presença na 20a Cúpula do Grupo do Rio. Na sua resolução de quarta-feira, OEA prometeu criar uma comissão (formada pelo secretário-geral José Miguel Insulza e representantes de Argentina, Brasil, Panamá e Peru) para investigar o assunto. Os chanceleres da OEA se reúnem no dia 17 para discutir o assunto, e o Equador insiste para que essa instância condene a Colômbia.

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