No Brasil, Chávez defende uma Otan para a América do Sul

Presidente deve discutir adesão ao Mercosul e crise diplomática na região entre Colômbia e Equador

Reuters,

26 de março de 2008 | 13h50

Ao desembarcar na base aérea de Recife, onde se encontrará com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o líder venezuelano, Hugo Chávez, defendeu nesta quarta-feira, 26, a criação de uma Organização do Tratado do Atlântico Sul para a defesa da região.  "O plano de Bolívar era esse, uma aliança não só política e econômica mas militar também, para assegurar a nossa independência", disse Chávez nesta quarta-feira, sugerindo em seguida a criação "da Otas como existe a Otan" (Organização do Tratado do Atlântico Norte).  Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez, da Venezuela, visitam nesta quarta-feira as obras para a construção da refinaria Abreu e Lima, em Recife, sem que Petrobras e PDVSA, as responsáveis pela obra, tenham chegado a um acordo sobre os detalhes do investimento conjunto no local. Segundo a BBC, o principal problema é a relutância da Petrobras em permitir que a estatal venezuelana entre no negócio de distribuição de derivados de petróleo no Brasil. Esta será a terceira reunião presidencial desde setembro do ano passado, quando Lula e Chávez se reuniram em Manaus e acertaram que se encontrariam a cada três meses. Na época, quando se falava em afastamento dos dois presidentes, Lula disse que o problema era que eles estavam há muito tempo sem se encontrar. Lula e Chávez também devem discutir a crise na região no início do mês, quando a Colômbia atacou um acampamento das Farc em território equatoriano. Chávez saiu em defesa do Equador e rompeu relações com a Colômbia, retomadas depois de dez dias. Na ocasião, o Brasil condenou atitude colombiana e intermediou o fim do conflito nas reuniões do Grupo do Rio, na República Dominicana, e numa sessão extraordinária da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington, mas insistiu que o assunto era bilateral e deixou Chávez de fora das negociações. Na reunião desta quarta-feira, Lula deve dizer a Chávez que o Brasil gostou do papel moderador e do tom conciliatório adotado pelo presidente venezuelano na reunião do Grupo do Rio. Durante a crise, Lula evitou falar ao telefone com Chávez, que o procurou algumas vezes logo no início do problema. Lula só ligou para o colega depois de dez dias, após a reunião da OEA. Os dois presidentes também vão conversar sobre o processo de adesão da Venezuela ao Mercosul, atualmente em tramitação no Congresso brasileiro. No ano passado, Chávez ameaçou retirar o pleito para integrar o bloco se o Congresso demorasse a aprovar o projeto, mas depois deixou de falar no assunto. No domingo, em Caracas, Chávez disse que a Venezuela "já é praticamente do Mercosul" e falou sobre a importância da integração latino-americana. O projeto enviado pelo Executivo já foi aprovado nas comissões temáticas da Câmara dos Deputados mas ainda precisa ser aprovada pelo plenário da Casa e pelo Senado.  Já está acertado que o petróleo pesado que será refinado em Abreu e Lima será fornecido em partes iguais pelos dois países, mas também não foi fechado, ainda, o acordo para a operação conjunta na exploração na Faixa do Orinoco, a contrapartida na Venezuela ao negócio em Pernambuco.De acordo com o governo brasileiro, os venezuelanos ainda não forneceram os estudos técnicos que mostram o volume de reservas comprovadas no local. O tema central do encontro, segundo Garcia, são os acordos de cooperação técnica nas áreas industrial e agrícola. A Venezuela quer ajuda brasileira para desenvolver esses setores e reduzir a dependência das importações, com acordos de transferência de tecnologia em gestão de empresas e agricultura, com cooperação com Sebrae, ABDI (Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial) e Embrapa. No ano passado, o Brasil exportou à Venezuela US$ 4,7 bilhões e importou apenas US$ 345 milhões. A diferença continua a mesma neste ano. Nos dois primeiros meses de 2008, as empresas brasileiras já exportaram US$ 608 milhões e importaram apenas US$ 69 milhões. Segundo Garcia, além do Brasil, outros países, como o Chile, estão interessados em investir na ampliação do parque industrial venezuelano. (Com BBC Brasil)

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