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No Chile, Zelaya pede aos EUA mais firmeza contra golpistas

Para líder deposto, a experiência chilena com a ditadura faz com que este país repudie o golpe em Honduras

13 de agosto de 2009 | 14h09

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse nesta quinta-feira, 13, ao chegar ao Chile, que a comunidade internacional e os Estados Unidos, em especial, devem adotar medidas mais firmes contra o governo de fato de Roberto Micheletti. No aeroporto de Santiago, onde desembarcou no início da tarde, Zelaya afirmou que qualquer gesto dos EUA é importante devido ao peso do país na economia hondurenha. Se o governo de Washington aplicar "medidas mornas, o golpe não vai ser revertido", ressaltou.

 

Zelaya, derrubado por um golpe em 28 de junho e substituído na Presidência por Micheletti, foi ao Chile para um encontro com a presidente Michelle Bachelet. A visita coincidiu com novos protestos em Honduras, pelo imediato retorno do líder. Em sua primeiras declarações, ele disse que o Chile, "que viveu ditaduras, terrorismo e violência", atuou com conhecimento de causa ao repudiar o golpe em Honduras e apoiar a democracia. Além de destacar a "coragem" do secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, por ter tentado uma solução para o conflito, Zelaya acusou o regime de Micheletti de ter "desprezado" o chileno quando este foi a Tegucigalpa.

 

Sobre o encontro com Bachelet, o mandatário deposto disse esperar "que o diálogo possa trazer também frutos para que a comunidade internacional estruture mecanismos fortes, coercitivos, que impeçam que estes fatos voltem a se repetir". Antes do Brasil, Zelaya esteve na Cidade do México, onde o presidente Felipe Calderón ratificou seu apoio a ele e repudiou o golpe de Estado, que o tirou do poder em 28 de junho. Ele foi recebido no país com honras de Estado. Na segunda-feira passada, ele também visitou o Equador, onde assistiu a cerimônia de posse de Rafael Correa, reeleito à presidência do país.

 

Em ocasiões anteriores, Michelle Bachelet pediu publicamente o retorno do "governo legítimo" de Honduras ao poder. "Nós agradecemos o trabalho da Organização dos Estados Americanos (OEA) para uma solução e esperamos que o sr. Zelaya seja reinstalado em breve", afirmou a líder.

 

Enquanto isso, o governo da Argentina exigiu que a embaixadora de Honduras, Carmen Eleonora Ortez Williams, deixe o país. Segundo a chancelaria argentina, o governo atendeu um pedido de Zelaya, porque a embaixadora apoiou o governo de facto de Roberto Micheletti após o golpe de 28 de junho. "Após o pedido do presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, a chancelaria argentina exigiu que a embaixadora hondurenha em Buenos Aires, Carmen Eleonora Ortez Williams, cesse suas atividades, por causa do apoio público que ela dá ao governo de facto de Roberto Micheletti", diz o comunicado da chancelaria argentina. Na quarta-feira, a presidente chilena Bachelet retirou o reconhecimento ao embaixador de Honduras no Chile, também por causa do apoio do diplomata ao governo de facto.

 

Na quarta-feira, o ministro de Relações Exteriores chileno, Mariano Fernandez, viajou para Washington para se encontrar com o secretário-geral da OEA, o chileno José Miguel Insulza, e com autoridades norte-americanas para discutir a situação em Honduras.

 

A OEA tenta negociar uma solução para a crise, iniciada com a derrubada de Zelaya, eleito democraticamente, por militares hondurenhos, em um golpe apoiado pelo Judiciário e pelo Parlamento, em 28 de junho. As esperanças pela solução mediada diminuíram, após o governo do presidente interino Roberto Micheletti rejeitar propostas que teriam permitido a Zelaya retornar ao poder até o fim do mandato, em janeiro de 2010. Zelaya já tentou voltar à capital hondurenha, Tegucigalpa, por avião e por terra. Foi impedido, porém, por militares em um aeroporto e na fronteira sul com a Nicarágua.

 

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, se reuniu hoje pela primeira vez com uma delegação do Governo de fato de Honduras, liderado por Roberto Micheletti desde o golpe de Estado de 28 de junho. Insulza recebeu em sua residência privada a delegação, composta por membros que representaram o novo Governo no processo de diálogo mediado pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias.

 

"Tivemos uma conversa muito longa, muito interessante e acredito que muito construtiva", disse o Insulza, em comunicado divulgado após o encontro. A reunião acontece dois dias depois de o Executivo de Micheletti suspender a visita da missão de chanceleres que a OEA tinha previsto enviar na segunda-feira ao país, em rejeição à presença do próprio Insulza na delegação.

 

O Governo de fato que acusava o secretário-geral de "falta de objetividade, imparcialidade e profissionalismo no exercício de suas funções", finalmente permitiu que o diplomata chileno participasse "como observador" da comissão, cuja visita foi adiada até o final de agosto. Insulza mostrou confiança de que o diálogo de hoje com a delegação hondurenha "gerará benefícios para a missão" que a OEA organismo enviará "em breve" a Honduras.

 

A polícia hondurenha deteve na noite de quarta-feira 40 pessoas na Universidade Pedagógica de Tegucigalpa, utilizada como abrigo por centenas de simpatizantes do presidente deposto Manuel Zelaya procedentes do interior do país para protestar contra o governo golpista. Mais 55 manifestantes foram capturados na região central da capital hondurenha, onde houve choques entre seguidores do líder deposto e a polícia. As forças de segurança usaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar um protesto, desencadeando incidentes como uma agressão ao deputado de esquerda Marvin Ponce e atos de vandalismo pela cidade.

 

No episódio ocorrido na Universidade Pedagógica, a polícia e o exército invadiram o local onde estão abrigadas centenas de pessoas e detiveram 40, disse Orlin Cerrato, comissário da polícia local.

Unidades policiais e do exército continuavam dentro da instituição de ensino, prosseguiu ele. Juan Barahona, da Frente de Resistência contra o Golpe, disse que os estudantes não poderiam mais pernoitar no local por causa da invasão.

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