Noriega: de amigo da CIA a inimigo número 1 dos EUA

Ex-ditador panamenho colaborou com a inteligência americana nos anos 1960 e 70, mas acabou destituído

Agências internacionais,

28 de agosto de 2007 | 19h51

Antes de ser deposto pelo Exército americano e levado à julgamento em Miami, o ex-ditador panamenho Manuel Antonio Noriega foi um importante colaborador da CIA, tendo recebido mais de US$ 320 mil em pagamentos por suas informações.   Juiz americano aprova extradição de Noriega Defesa garante retorno de Noriega em 2007   Nesta terça-feira, 28, um juiz americano permitiu sua extradição para a França, onde ele também foi condenado e poderá ser levado após o termino de sua sentença nos EUA, no próximo dia 9.   Nascido em 1934, Noriega participou em 1968 de um golpe militar contra o presidente Arnulfo Arias, tornando-se mais tarde o chefe dos serviços de inteligência do ditador Omar Torrijos.   Em contato próximo com os agentes americanos que atuavam na vigilância do Canal do Panamá, o ex-ditador se tornou rapidamente um informante regular dos serviços de inteligência americanos. Embora no começo dos anos 1970 os EUA já soubessem de seu envolvimento com o tráfico de drogas, ele foi mantido na folha de pagamento da CIA pelo então presidente americano Richard Nixon, que o considerava um quadro importante para os serviços de contra inteligência no contexto da Guerra Fria.   Como chefe da inteligência panamenha, Noriega era o segundo homem mais poderoso do Panamá em 1981, ano da morte do ex-ditador Torrijos.   Em 1983, Noriega torna-se o chefe das Forças de Defesa Panamenhas, colocando-se como comandante de fato do país.   Com a intensificação da repressão, o governo americano começa a isolar o ex-ditador. Em 1986, uma reportagem do New York Times apresenta evidências de que Noriega estaria por trás do degolamento do empresário oposicionista Hugo Spadafora. Este havia se tornado conhecido depois de dizer publicamente que o ex-ditador estava envolvido no tráfico de drogas.   A gota d'água para a deterioração das relações com Washington veio em 1988, quando uma corte federal de Miami indiciou Noriega sob a alegação de que este teria permitido a utilização do Canal do Panamá para a passagem de carregamentos de cocaína e maconha cujo destino eram os EUA.   Após uma tentativa de golpe frustrada patrocinada por Washington, forças americanas invadiram o Panamá em 1989 com o objetivo de destituir Noriega.   Com a invasão, o ex-ditador buscou refúgio na embaixada do Vaticano, mas se rendeu em janeiro de 1999 depois que tropas americanas "bombardearam" o prédio com música rock em volume ensurdecedor.   Levado a Miami, Noriega foi julgado e declarado prisioneiro de guerra dos Estados Unidos, o que lhe garantiria as salvaguardas das Convenções de Genebra. Seus advogados usaram este argumento para pedir sua extradição ao Panamá, mas a alegação foi rejeitada pela Justiça americana.   Condenado por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e chantagem, ele foi inicialmente sentenciado a 40 anos de prisão. Premiado por "bom comportamento", sua pena foi reduzida a 17 anos.

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