Noriega, ex-ditador do Panamá, está 'muito fraco', diz advogado

O ex-ditador do Panamá Manuel Noruega, mantido numa prisão de Paris enquanto espera um novo julgamento por lavagem de dinheiro, está "muito fraco", disse um de seus advogados na quinta-feira.

LUCIEN LIBERT, REUTERS

29 de abril de 2010 | 16h31

Noriega, de 76 anos, saiu das favelas da Cidade do Panamá e chegou ao posto máximo das Forças Armadas do país antes de ser derrubado em uma invasão dos Estados Unidos em 1989, depois de ser indiciado pelas autoridades norte-americanas por tráfico de drogas.

Ele foi extraditado dos EUA para a França na terça-feira, após cumprir uma pena de 17 anos naquele país.

"Eu o vi esta manhã", disse o advogado Olivier Metzner à Reuters Television. "De novo, encontrei um homem que está muito fraco, que tem muita dificuldade em descer as escadas que levam para a sala de reuniões dos advogados, e tem muitos problemas em subir as escadas na volta."

O antigo autoproclamado "líder máximo" do Panamá foi julgado e condenado em um tribunal de Miami em 1992 por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e extorsão. Ele disse ser inocente e ter ajudado o serviço de inteligência dos EUA e as iniciativas antidrogas norte-americanas.

Ele também foi declarado culpado na França e condenado à revelia em 1999 por lavagem de dinheiro. Ele enfrentará um novo julgamento nos próximos dois meses, que poderá resultar numa pena de 10 anos.

Os advogados dele solicitam que o caso seja arquivado e o cliente, libertado, mas um juiz afirmou que Noriega não poderia ser autorizado a permanecer na França caso fosse solto mediante fiança.

Os advogados de Noriega argumentam que, como prisioneiro de guerra - status concedido a ele pelos EUA - e ex-chefe de Estado, as cortes francesas não têm jurisdição para processá-lo.

O embaixador do Panamá na França, Henry Faarup, disse esta semana que seu país buscaria a extradição de Noriega ao Panamá, onde ele poderá ter de enfrentar 20 anos de cadeia por crimes diversos.

Metzner afirmou que ficaria feliz em atender uma solicitação de extradição de Noriega para o Panamá, caso isso fosse feito.

"Estamos prontos para entregá-lo amanhã, ou mesmo ainda esta noite", disse ele à Reuters.

(Reportagem adicional de Antony Paone e Sudip Kar-Gupta)

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