Noriega tenta novo recurso para impedir extradição

Ex-ditador é acusado de lavagem de dinheiro e pode ser transferido para a França, onde enfrentará julgamento

Efe,

31 de outubro de 2007 | 15h17

O ex-general panamenho Manuel Antonio Noriega deu entrada em outro recurso para tentar impedir sua extradição para a França, país no qual seria julgado por lavagem de dinheiro, disse nesta quarta-feira, 31, à Efe um de seus advogados. Noriega, que está em uma prisão de Miami (Flórida), insiste em sua condição de prisioneiro de guerra como argumento para impedir que seja enviado a Paris. Em setembro, o juiz William Hoeveler rejeitou sua solicitação contra a extradição, pedido baseado no status de prisioneiro de guerra acolhido pela Convenção de Genebra. O advogado Joy May afirmou que o recurso legal foi apresentado na última sexta-feira perante um juiz federal de Miami e explicou que não sabe quando ele decidirá sobre o pedido. O ex-general panamenho governou o país entre 1983 e 1989 e cumpre pena em Miami por permitir o envio aos Estados Unidos dos embarques de cocaína do extinto cartel de Medellín, na Colômbia, na década de 80. Antes de a França pedir sua extradição, as autoridades americanas pretendiam libertar Noriega no dia 9 de setembro, mas ele permanece sob custódia após ser aprovada sua deportação a Paris. A Justiça americana determinou que a documentação apresentada pelos promotores federais, que representam o Governo francês no caso, atendia aos requisitos legais exigidos e, por causa disso, aprovou o processo de extradição. Uma das alegações de um juiz se baseou no fato de que a Convenção de Genebra não impede que um prisioneiro de guerra seja extraditado para ser julgado por crimes graves cometidos em outro país e que Noriega não questionou que havia provas suficientes de ter cometido um delito pelo qual podia ser extraditado. A França pediu a extradição de Noriega após considerá-lo culpado da lavagem de US$ 3,1 milhões e o condenou a dez anos de prisão. Antes de ser deposto pelo Exército americano e levado à julgamento em Miami, o ex-ditador panamenho Manuel Antonio Noriega foi um importante colaborador da CIA, tendo recebido mais de US$ 320 mil em pagamentos por suas informações. Condenado por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e chantagem, ele foi inicialmente sentenciado a 40 anos de prisão. Premiado por "bom comportamento", sua pena foi reduzida a 17 anos.

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