Nova Carta é aprovada por 60% na Bolívia, diz boca-de-urna

Constituição de Evo outorga ao Estado controle total da economia e abre as portas do poder à maioria indígena

Agências internacionais,

25 de janeiro de 2009 | 20h16

Os bolivianos aprovaram neste domingo, 25, em referendo a nova Constituição promovida pelo presidente Evo Morales, com um apoio que cerca os 60% de votos, segundo pesquisas de boca-de-urna divulgadas por vários canais de televisão. Os colégios eleitorais, 2.816 no total, começaram a ser fechados às 16h (18h em Brasília), para a apuração dos votos de cerca de 3,8 milhões de bolivianos que foram às urnas.   Veja também: 'Referendo deve ser respeitado', diz Evo à oposição Às vésperas de referendo, Evo nacionaliza British Petroleum Entenda os pontos polêmicos da nova Constituição da Bolívia   A votação transcorreu com tranquilidade e normalidade, segundo destacaram a Corte Nacional Eleitoral (CNE), diversas missões de observadores internacionais e o próprio governo. Os bolivianos votaram em um documento de 411 artigos que outorgaria ao Estado o controle total da economia e abriria as portas das instâncias do poder à maioria indígena. A oposição alega que a Carta Magna - definida por Evo como parte da "refundação do país" - concede privilégios a grupos étnicos em detrimento dos mestiços e que não contém uma descentralização verdadeira.   Após a divulgação dos primeiros resultados, Evo afirmou que, com a aprovação da nova Constituição, neste domingo se refunda uma nova Bolívia com igualdade de oportunidades para todos seus cidadãos, convocando todos à unidade para aplicar a Carta Magna. "Aqui começa uma nova Bolívia, de igualdade e dignificação de todos os bolivianos", declarou o presidente diante de uma multidão em La Paz. A reforma constitucional foi rechaçada durante quase três anos pela oposição, que liderou violentas manifestações que deixaram um saldo de mortos.   Analistas creem que a popularidade de Evo entre a comunidade indígena, que chega a dois terços da população boliviana de 10 milhões de habitantes e que foi relegada durante décadas na vida política, será suficiente para a aprovação da Carta.   "Esperamos sua participação (da população) nesta festa democrática. Neste 25 de janeiro, pela primeira vez uma proposta de Constituição está sendo submetida ao povo boliviano", disse Evo à radio Erbol nas primeiras horas da votação. A oposição, integrada por partidos de centro e centro-direita com grande poder nos departamentos do leste do país, afirma que a nova Constituição criaria um Estado totalitário e afugentaria os investimentos de que o país mais pobre de América do Sul necessita com urgência.   Ainda acusam Evo, um indígena de 49 anos, de querer instaurar um regime centralista apoiado por seu maior aliado, o presidente venezuelano Hugo Chávez. "É um momento muito especial para nossa pátria. Peço a todos que ajudem esta jornada democrática. Estão em jogo muitas coisas transcendentais para o futuro de nosso país", afirmou aos jornalistas o governador de Santa Cruz, Rubén Costas, um dos líderes da oposição.   Fraude   Integrantes da oposição a Evo denunciaram que a eleição para ratificar ou não o projeto da nova Constituição tem "marcas de fraude". De acordo com o líder do partido opositor Podemos (Poder Democrático Social), Jorge Quiroga, "não se trata de um processo eleitoral seguro." "Existem falhas evidentes, como falta de controle da identidade dos que estão votando", disse. Em entrevista à BBC Brasil, o secretário do setor de autonomias do departamento (estado) de Santa Cruz, Carlos Dabdoub, disse que se o projeto constitucional for confirmado, terão ocorrido "fraudes." "Temos informações de que é uma eleição apertada, com a possibilidade até de empate técnico. Se o governo anunciar que ganhou, então houve fraude", disse. Durante a semana, advogados da Prefeitura de Santa Cruz entregaram denúncias de possibilidades de fraudes, com possíveis irregularidades no número de votantes e da mesma pessoa usar a identidade mais de uma vez. O presidente boliviano reagiu às acusações. "São declarações de derrotados. Essa é uma eleição democrática e o povo decidirá o que é melhor para a Bolívia", disse ele em uma entrevista na Federaçao dos Cocaleiros de Cochabamba, onde passou parte do dia após votar neste pleito. O resultado oficial da votação deve ser divulgado nos próximos dias.   (Matéria atualizada às 23h25)   

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