Novo chanceler da Argentina chama Reino Unido de 'rapina' das Malvinas

Héctor Timerman qualificou prospecção de petróleo nas ilhas como 'aventura colonialista'

24 de junho de 2010 | 18h12

NOVA YORK- O novo chanceler argentino, Héctor Timerman, chamou nesta quinta-feira, 24, o Reino Unido de "rapina" em um comitê de descolonização da ONU pelas explorações britânicas de petróleo nas ilhas Malvinas, renovando o histórico reclame de soberania de seu país.

 

Em sua primeira missão oficial após assumir o cargo, Timerman alertou sobre o risco ambiental que pode causar "esta aventura colonialista do Reino Unido no Atlântico Sul, baseada na rapina dos recursos naturais não renováveis de nosso continente".

 

"Essas atividades britânicas, além de serem uma flagrante do direito internacional e um claro desprezo do mandato da comunidade internacional, é uma ameaça ambiental", afirmou o chanceler.

 

Timerman recordou a catástrofe ecológica na região do Golfo do México, consequência do vazamento de petróleo da empresa britânica BP, e expressou a "plena solidariedade" da Argentina com os americanos afetados pelo desastre.

 

O chanceler também se disse preocupado com o que considerou "declarações de cunho belicista" de representantes do governo britânico e das autoridades das Malvinas.

 

Timerman incitou Londres a cumprir com as resolução da ONU, que pedem uma solução negociada do conflito para por fim a "uma vergonhosa, além de anacrônica e ilegal situação colonial".

 

"Não é esse comportamento que a comunidade internacional espera de membros responsáveis da organização. A atitude é ainda mais preocupante, pois é adotada por um membro permanente do Conselho de Segurança", afirmou o chefe da diplomacia argentina.

 

A intervenção de Timerman foi precedida pela de um grupo de antigos moradores e descendentes de habitantes argentinos das ilhas, que destacaram o direito histórico que, em sua opinião, respalda a causa do país.

 

Por sua vez, representantes das autoridades locais das Malvinas reclamaram ao comitê seu direito às explorações de hidrocarbonetos no arquipélago. "É um assunto dos malvinenses, o governo britânico não tem nada a ver com as prospecções nas águas das Malvinas. Estamos satisfeitos com o assessoramento que nos foi dado em assuntos ambientais", disse na saída da reunião a legisladora Emma Edwards.

 

A representante garantiu que os padrões que se empregam nessas atividades "são superiores aos de muitos países". Além disso, expressou sua dúvida de que a mudança da chancelaria altere a posição de seus "vizinhos".

 

"Não somos argentinos, não somos ingleses, somos malvinenses britânicos, e até que esse país nos reconheça, lamentavelmente haverá muito o que fazer", acrescentou.

 

Ao término da sessão, os 24 membros do comitê de descolonização da Assembleia Geral adotaram uma resolução semelhante a de anos anteriores, que pede a retomada do diálogo entre Londres e Buenos Aires.

 

Em um posterior encontro com a imprensa, Timerman ressaltou o firme respaldo à posição argentina nesse foro da ONU por países latino-americanos e criticou os argumentos das autoridades malvinenses.

 

"Falam como se fossem um ente totalmente independente, como uma ilha democrática em meio de países hostis. Não mostraram nenhum fundamento", observou.

 

O chanceler, que se reuniu com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, reiterou o interesse de seu governo para que o organismo continue mediando a resolução da disputa.

 

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