Novo escândalo atinge o presidente colombiano Álvaro Uribe

Uma ex-deputada colombiana disse que ogoverno lhe ofereceu favores ilegais em troca de seu apoio auma emenda que permitiu que o presidente Álvaro Uribe secandidatasse à reeleição em 2006. O presidente desmentiu aacusação. Num vídeo, gravado em agosto de 2004 e transmitido na noitede domingo, a ex-deputada Yidis Medina disse que o governoprometeu favores em troca de seu apoio à modificação na lei,mas não cumpriu o prometido. A Suprema Corte colombiana está investigando o caso, que,juntamente com um escândalo que vincula alguns dos aliadospolíticos mais próximos de Uribe com esquadrões da morte deextrema direita, pode complicar a aprovação de um acordo delivre comércio com os EUA. O acordo está sendo bloqueado no Capitólio por democrataspreocupados com o histórico de Uribe relativo aos direitoshumanos. Em 2004, Medina disse que funcionários da administração lheofereceram a oportunidade de nomear membros de três comissõeslocais em seu departamento (Estado) de Santander, o que lhepossibilitaria aumentar sua influência. Ela disse que, em uma reunião, Uribe pediu seu apoio eafirmou que o governo honraria as promessas feitas a ela. "Ele disse que queria salvar o país e queria mais tempopara completar seu programa", diz a deputada no vídeo. O presidente, agora na metade de seu segundo mandato, negouas acusações. "O governo persuade. Ele não compra lealdades", disseUribe. "Não toleramos a corrupção." A divulgação do vídeo aconteceu dois dias depois de ostribunais abrirem uma investigação contra a líder do Senado,Nancy Gutierrez, por possíveis ligações com milícias de direitaproibidas. Mais de 60 legisladores, em sua maioria pertencentes àcoalizão de Uribe, já foram incluídos na investigação sobre ainfluência dos grupos paramilitares sobre o Congresso. Mas o conservador Uribe, aliado de Washington, continua aser altamente popular por ter reduzido a criminalidade efomentado o crescimento econômico, graças à repressão apoiadapelos EUA aos insurgentes de esquerda. Uribe pediu ao procurador-geral que investigue o produtorde televisão e colunista oposicionista que conduziu aentrevista. "Tudo indica que o jornalista e a entrevistada conversarampreviamente sobre as perguntas e respostas e adiaram adivulgação do vídeo até o momento considerado mais oportuno porambos", diz um comunicado da presidência. Yidis Medina, membro do Partido Conservador que integrava acoalizão de Uribe, disse que a entrevista não foi encenada. Elaafirmou que a gravou para proteger-se contra possíveisrepresálias.

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