Novo plano de Michelleti propõe sua renúncia e anistia a Zelaya

Presidente golpista, entretanto, só aceitaria deixar o poder se presidência fosse entregue a outro político

Associated Press,

28 de agosto de 2009 | 08h37

O presidente golpista de Honduras, Roberto Micheletti, disse que aceita renunciar e apoia o retorno de Manuel Zelaya, chefe de governo deposto pelo golpe de Estado, se este optar também por sua saída do cargo, segundo seu novo plano de anistia.

 

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Arturo Corrales, um dos negociadores de Michelleti, informou que o plano de anistia a Zelaya deverá ser aprovado pelo Congresso, mesmo que aceitar o retorno de Zelaya seja um ponto novo entre os outros planos já apresentados pelo o governo golpista. "Isso nunca havia sido mencionado antes", disse o representante de Michelleti.

 

Michelleti ofereceu sua renúncia em outras ocasiões, mas somente sob a condição de entregar a presidência a outra pessoa designada constitucionalmente. O possível substituto seria o presidente da Corte Suprema de Honduras, Jorge Rivera, cuja corte emitiu uma ordem de prisão contra Zelaya durante o golpe militar.

 

Micheletti apresentou o plano na terça-feira a uma delegação da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Tegucigalpa. A delegação, que incluía o secretário-geral do órgão, José Miguel Insulza, não se manifestou a respeito do plano e, segundo Corrales, dificilmente o aprovaria. "Insulza dificilmente aceitaria esses termos", disse.

 

A nova proposta de Michelleti contemplava sua renúncia e o retorno de Zelaya contando que a anistia política não envolvesse crimes comuns. O presidente deposto foi acusado de falsificação de dados públicos, fraude e abuso de autoridade em relação ao uso de fundos do governo para pagar anúncios publicitários de sua gestão em janeiro. Assim, tais acusações contra Zelaya não seriam retiradas com a anistia.

 

O plano também contempla o convite a observadores internacionais como os da OEA, do Centro Carter e da União Europeia para que fiscalizem as eleições presidenciais de 29 de novembro.

 

O golpe de Estado em Honduras ocorreu no final de junho, quando o governo tentava realizar um referendo para mudar a Constituição em relação aos mandatos presidenciais, uma medida que não foi apoiada pela Corte Suprema, pelo Congresso ou pelo Exército do país. Zelaya e a comunidade internacional insistem que sua deposição foi ilegal e que deve ser restituído da presidência, cujo mandato terminaria em janeiro.

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