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Novo prazo acaba e Zelaya encerra diálogo em Honduras

Líder deposto anunicou coletiva para a manhã desta sexta; governo de facto apresentará proposta

Agência Estado e Associated Press,

23 de outubro de 2009 | 09h40

A comissão negociadora do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, deu por encerrado o diálogo que manteve sem êxito durante 22 dias com o governo de facto, liderado por Roberto Micheletti, afirmou nesta sexta-feira, 23, o coordenador do grupo, Víctor Meza. "Em virtude de que se cumpriu o prazo fixado às 4h30 da tarde, para nós, a delegação do presidente Zelaya, o diálogo está concluído", afirmou Meza durante entrevista por telefone, depois da meia-noite.

 

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"De nossa parte, não há mais espaço para seguir dialogando com pessoas que só buscam alongar o diálogo", criticou. A delegação do líder deposto havia estabelecido a meia-noite da quinta-feira como data-limite para receber uma proposta do governo de facto. Meza afirmou que não recebeu esta proposta no prazo.

Zelaya adiou para a manhã desta sexta uma entrevista coletiva, sem explicar os motivos para isso. Na quinta à tarde, a delegação do líder deposto rechaçou uma proposta do governo de facto. Como contraproposta, sugeriu que o Congresso restituísse Zelaya ao cargo de que foi retirado em um golpe militar em 28 de junho.

"É a última proposta que a comissão do presidente Zelaya formula", disse Meza ao apresentá-la. Os negociadores de Micheletti disseram que não acataram o prazo estabelecido e ofereceram uma proposta para a manhã desta sexta. Uma negociadora do governo de facto, Vilma Morales, disse que "esta comissão lamenta que (a proposta de Zelaya) representa um retrocesso dramático que parece querer adiar o fim da crise".

O governo de facto queria que a Suprema Corte decidisse sobre a volta ou não de Zelaya à presidência. Para o líder deposto, porém, essa entidade fez parte do golpe, apoiando-o, e não poderia ficar com a decisão. Zelaya ressalta que sua volta ao cargo é essencial para qualquer acordo.

Os dois lados trocam acusações sobre a real vontade de os rivais buscarem uma solução para o impasse. Zelaya está abrigado na embaixada brasileira em Tegucigalpa desde 21 de setembro, à espera do fim da crise.

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