Número de mortos em terremoto no Peru passa de 500

ONU acredita que total de vítimas deva aumentar enquanto resgate continua em andamento

Agências internacionais,

16 de agosto de 2007 | 19h23

Novas estimativas apresentadas na tarde desta quinta-feira, 16, elevam para mais de 500 o número de vítimas fatais do terremoto de 8 graus de magnitude que devastou cidades do sudoeste do Peru no começo da noite de quarta-feira. Segundo dados do corpo de bombeiros, já são ao menos 510 mortos, 1.500 feridos e milhares desabrigados.     Veja também:   Veja as imagens  Câmeras flagram momento do abalo   Comunidade internacional oferece apoio  Brasileiro relata momentos do terremoto  História do Peru é marcada por terremotos  'A terra se moveu como nunca'  Mais de 600 detentos fogem de cadeia  Governo brasileiro oferece ajuda humanitária  Embaixada dá instruções para brasileiros  Os piores terremotos na América Latina   A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que a expectativa é que o número de mortos pelo desastre tenha sido maior que os óbitos informados até agora, porque os trabalhos de resgate ainda estão em curso nas ruínas.   "Infelizmente, os números continuarão a crescer porque a destruição de casas nas áreas atingidas foi total," diz Margareta Wahlstrom, secretária-geral assistente da ONU.   A região mais atingida foi o deserto do sul do Peru, ao redor da cidade de Ica e o porto vizinho de Pisco, 200 quilômetros ao sudeste da capital, Lima.   O prefeito da cidade de Pisco disse que pelo menos 200 pessoas foram soterradas pelas ruínas de uma igreja, onde assistiam a uma missa. Outras 17 pessoas morreram dentro de uma igreja em Ica, segundo a emissora local Canal N. Já a igreja histórica Señor de Lurén, em Ica, foi derrubada pelo terremoto e pelo menos 57 corpos foram retirados dos escombros.     "Nós não temos eletricidade, água, comunicações. Muitas casas desabaram. Igrejas, hotéis, lojas - tudo foi destruído," disse Juán Mendoza, prefeito de Pisco.   Nesta quinta-feira, a magnitude do terremoto foi revista pelo Centro de Geologia dos Estados Unidos, que aumentou a força do tremor de 7.9 para 8 graus na escala de Richter.   Pelo menos 14 tremores de menor magnitude foram registrados após o impacto do início da noite da quarta-feira, complicando os esforços de resgate. Pelo menos um desses abalos teve 5 graus na escala de Richter.   Ajuda humanitária   O presidente do Peru, Alan García, viajou de helicóptero a Ica, uma cidade de 120 mil habitantes, e declarou estado de emergência. Os médicos peruanos do serviço estatal de saúde cancelaram uma greve por melhores salários para atender aos feridos.   "Houve uma resposta rápida e boa de ajuda da comunidade internacional, mesmo que o Peru não tenha pedido por ela," disse García, durante uma visita à Pisco.   O governo brasileiro está entre os que enviarão ajuda. Na manhã desta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para García para oferecer 46 toneladas de alimentos não perecíveis, além de medicamentos e tendas de campanha. A Força Aérea Brasileira transportará os alimentos de Vitória, no Espírito Santo, para Lima, capital peruana, até a sexta-feira.   Em Washington, o presidente dos EUA, George W. Bush, também ofereceu condolências pelo desastre. Um cidadão americano morreu na tragédia.   Falta eletricidade, água e serviço de telefonia no sul do Peru. O governo enviou para a região mais policiais, soldados e médicos, mas o tráfego rodoviário está paralisado na rodovia Panamericana.   Em Chincha, uma pequena cidade próxima a Pisco, um câmera da Associated Press contou pelo menos 30 corpos no pátio do hospital. Centenas de feridos estavam lado a lado nos jardins em frente ao centro médico, não apenas por causa da falta de leitos, mas por causa do medo de que novos terremotos derrubem o edifício.   Fuga de detentos   O terremoto derrubou o muro da prisão de Chincha e permitiu que 600 presos fugissem. Até agora, 29 foram recapturados, segundo o governo peruano.   A Cruz Vermelha do Peru demorou sete horas e meia para chegar a Ica e Pisco, por causa dos danos provocados nas rodovias.   Em Lima, 150 quilômetros ao norte do epicentro do sismo, apenas uma morte foi reportada. Mas os furiosos dois minutos do terremoto levaram milhares de pessoas a abandonar suas casas e buscar refúgio nas ruas.   Tsunami   Cientistas dizem que o terremoto que abalou a costa peruana foi "gigantesco" - um tipo de tremor semelhante ao registrado no final de 2004, no fundo do Oceano Índico, que gerou o tsunami que devastou as costas de países asiáticos.   O terremoto de quarta-feira ocorreu em uma falha onde a atividade sísmica é das mais fortes no planeta, entre as placas de Nazca e da América do Sul. A última vez que um terremoto de magnitude superior a 7 graus atingiu o Peru foi em 2005, quando o choque de 7,5 graus chegou a ser sentido na Floresta Amazônica, no leste do país. O tremor matou quatro pessoas. Em 2001, um terremoto de 7.9 graus atingiu a cidade de Arequipa, nos Andes, e matou 71 pessoas.

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