Número de mortos na tragédia peruana é de 540

Defesa informa estimativa parcial, após 503 serem identificados; governo desiste de procurar sobreviventes

Por Roberto Lameirinhas, enviado especial,

20 de agosto de 2007 | 21h25

Subiu nesta segunda-feira, 20, para 540 o número de mortos no terremoto de quarta-feira no Peru, informou a Defesa Civil, com base em uma estimativa parcial, acrescentando que 503 pessoas foram identificadas. O governo peruano, após declarar que não tem esperança de encontrar sobreviventes, iniciou a tarefa de retirar os escombros das localidades devastadas pelo terremoto de 8 graus na escala Richter. O presidente peruano, Alan García, disse nesta segunda que a limpeza das ruas e a reconstrução são as prioridades de seu governo. Ele retornou nesta segunda-feira a Lima após passar três noites na área do desastre. Uma agência autônoma do governo supervisionará a reconstrução das cidades destruídas.  García disse que o plano é construir pequenas casas com dois quartos para os desabrigados, com um material mais forte - como blocos de concreto e vigas de ferro - para que possam suportar terremotos. A maioria das casas destruídas era feita de adobe (barro prensado com palha). Mais de 85% das casas de Pisco, 200 quilômetros a sudeste de Lima, desmoronaram. A Defesa Civil informou que 176 mil pessoas estão desabrigadas em nove povoados e estima que mais de 35 mil casas foram destruídas. Segundo o presidente, os 1,200 soldados conseguiram restaurar a calma nas cidades afetadas - principalmente em Pisco, Ica, Chincha e Cañete -, onde desabrigados famintos saquearam caminhões com ajuda humanitária e mercados. Não foi registrado nenhum saque desde sábado. Apesar dos esforços de García para resolver a questão logística da distribuição de ajuda, as vítimas do terremoto aguardam horas nas filas para receber cobertores, água e comida. Cerca de 280 aviões chegaram ao Peru com 600 toneladas de ajuda, disse o presidente. São 22 vôos por dia que saem do grupo aéreo número 8, a base aérea de Lima, para Pisco. Os aviões, quase todos Hércules C-130, levam alimentos, medicamentos e equipamentos para remoção de escombros e voltam trazendo feridos para os hospitais de Lima. Nas cidades mais afetadas pelo terremoto de quarta-feira, os hospitais - sem pessoal, insumos médicos e energia elétrica - também entraram em colapso. Os militares responsáveis pela coordenação da ponte aérea de emergência têm trabalhado em média 16 horas por dia desde sexta-feira. Mas o comandante Arce, responsável pela coordenação da ponte área, assegurou à AE que os encarregados da segurança dos aviões trabalham apenas o turno de 6 horas. "Tomamos todos os cuidados para evitar uma nova tragédia", disse o militar. A ponte aérea já transportou 457 toneladas de tendas de campanha, cobertores, alimentos e medicamentos até segunda à tarde. Com a comunidade internacional mobilizada e comovida com a tragédia peruana, uma boa parte dos víveres vem do exterior, mas a parte mais significativa da ajuda humanitária tem sido providenciada pelos próprios peruanos. Postos de arrecadação foram rapidamente instalados por todo o país.

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