Número de mortos por terremoto no Chile sobe para 723

De acordo com a Defesa Civil chilena, a maior parte dos mortos morava na cidade litorânea de Maule

estadao.com.br,

01 de março de 2010 | 15h17

Subiu para 723 o número de mortos pelo terremoto de 8,8 graus de magnitude que atingiu o Chile no último sábado. De acordo com o Escritório Nacional de Emergências (Onemi, na sigla em espanhol)19 pessoas estão oficialmente desaparecidas.   

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Ainda segundo o Onemi, a maior parte das vítimas vivia na região de Maule, no litoral, onde 544 pessoas morreram. Em Bio Bio são 64 mortos. Na Grande Santiago, são 38 vítimas. Em Bernardo O'Higgins, mais 48 pessoas faleceram e em Valparaíso, 16.

 

O desespero entre a população aumentou ainda mais na manhã de ontem, quando outro abalo de 6,1 graus voltou a sacudir o território chileno. Até agora, 1,5 milhão de casas foram danificadas pelo tremor e mais de 2 milhões - ou 12,5% dos 16 milhões de habitantes do Chile - foram afetados.

 

O caos generalizado fez com que a presidente Michelle Bachelet decretasse estado de exceção de catástrofe nas regiões de Maule e Concepción, as mais devastadas pelo terremoto, além de um toque de recolher.

 

Saques

 

Bachelet reconheceu o problema de ordem pública criado pelos saques e nomeou o general Guillermo Ramírez como responsável pela segurança em Concepción. Ontem, milhares de pessoas desesperadas saquearam dezenas de comércios no centro e bairros da periferia da cidade.

 

 

Resignada, para evitar mais mortes, a policia não reprimiu as saqueadores, dos quais faziam parte também mulheres idosas e crianças. Os policiais somente intercediam para evitar brigas entre eles.

Os comerciantes, angustiados, reclamavam da falta de ação das forcas de segurança. Em alguns locais, porém, gás lacrimogêneo e jatos d"água foram usados para dispersar a multidão.

 

"Preciso destas coisas, pois são elementos de primeira necessidade", afirmou ao Estado Josefa, uma jovem que saía de um supermercado empurrando um carrinho com uma TV LCD, papel higiênico, desodorantes e várias garrafas de uísque.

 

No entanto, a maioria das pessoas levava comida e água. "Morro de vergonha de roubar. Eu vim aqui com a intenção de comprar", disse Lucia, uma aposentada. Para demonstrar suas intenções sinceras, abriu a bolsa e mostrou sua carteira com dinheiro. "Mas não houve jeito. As caixas não estavam abertas. Tive de agir como uma ladra. Nunca fiz isso antes."

 

A prefeita de Concepción, Jacqueline van Rysselberghe, disse que a situação na cidade estava "fora de controle". "Precisamos do Exército", disse a prefeita. "Não podemos deixar que as pessoas defendam suas posses porque assim a lei do mais forte prevalecerá."

 

 

 
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