O que ocorre na Venezuela é um anacronismo radical, diz Vargas Llosa

O Prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa criticou nesta quinta-feira o modelo socialista do governo venezuelano, dizendo que apresenta um "anacronismo radical" que levou o país sul-americano a uma crise que exibe a inflação mais alta do continente e um fraco desempenho econômico.

DIEGO ORÉ, Reuters

24 de abril de 2014 | 19h00

O escritor peruano chegou quarta-feira a Caracas para participar de um fórum de dois dias organizado pela associação civil Centro de Divulgação do Conhecimento Econômico para a Liberdade (Cedice), que defende as liberdades individuais, a propriedade privada e o livre-mercado.

"O que ocorre na Venezuela é um anacronismo radical", disse o premiado escritor de 78 anos na inauguração do encontro do qual também participarão intelectuais de direita, como seu filho Álvaro Vargas Llosa e o colombiano Plinio Apuleyo Mendoza.

"A Venezuela se empenhou nos últimos 15 anos em retroceder cada vez mais e se aproximar dos exemplos mais patéticos de fracassos econômicos, políticos e sociais, como Cuba e a Coreia do Norte, os últimos expoentes do socialismo real no mundo", acrescentou o escritor, também autor de "A Festa do Bode".

Em 2009, durante sua última visita à Venezuela, o autor de "Conversa na Catedral" foi retido pelas autoridades no aeroporto internacional de Caracas durante quase duas horas antes de permitirem sua entrada no país.

O falecido presidente Hugo Chávez negou na época que ele tivesse sido retido no terminal aéreo e comentou que o escritor vinha "ofender" e "provocar".

Nesta quinta-feira, Vargas Llosa declarou que não tem intenção de "provocar ninguém" e que só tem agradecimentos a fazer à Venezuela, onde recebeu seu primeiro prêmio internacional, o Rómulo Gallegos, em 1967.

No entanto, ele afirmou que apoia a luta dos estudantes venezuelanos que, há quase três meses, protagonizam a pior onda de protestos em mais de uma década no país, buscando frear a elevada inflação, a recorrente escassez de produtos básicos e a segunda taxa de homicídios mais elevada do mundo.

Apesar da feroz crítica ao presidente Nicolás Maduro, Vargas Llosa se mostrou otimista em relação ao diálogo entre o governo e a oposição, iniciado duas semanas atrás.

"Tomara que o diálogo seja genuíno e autêntico e que permita pacificar o país", disse ele, referindo-se aos violentos protestos que deixaram 41 mortos e centenas de feridos desde fevereiro.

Vargas Llosa, um dos mais importantes romancistas e ensaístas contemporâneos, teve uma breve passagem pela política em 1990, quando se candidatou à Presidência do Peru e perdeu para Alberto Fujimori, que atualmente está preso.

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