Obama diz apoiar Zelaya e reconhecê-lo como presidente

Chefe de Estado americano afirma que hondurenho foi "eleito democraticamente" e deve permanecer no poder

Reuters e ANSA,

10 de agosto de 2009 | 15h37

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta segunda-feira, 10, considerar hipócrita aqueles que acham que seu país deve interferir diretamente na crise política de Honduras e defendem uma postura mais enérgica de Washington. "Os mesmos críticos que dizem isso também falam que os EUA não interferiram o suficiente em Honduras e que os ianques devem sair da América Latina", protestou.

 

"Fomos muito claros com nossa posição a respeito do golpe de Estado e defendemos o retorno do presidente (Manuel) Zelaya. Cooperamos com todos os órgãos internacionais ao enviar esta mensagem", completou. Obama disse anteriormente que apoia o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e afirmou que ele "é o presidente eleito democraticamente" pelo povo hondurenho.

 

Em Guadalajara, onde participou da 5ª Cúpula de Líderes da América do Norte ao lado do presidente do México, Felipe Calderón, e do primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, Obama reafirmou seu repúdio ao golpe de Estado aplicado no país centro-americano que destituiu Zelaya no último dia 28 de junho, dizendo que ele foi "retirado de seu posto de forma ilegal".

 

O presidente americano afirmou ainda que "o presidente Zelaya foi democraticamente eleito e, por respeito ao povo de Honduras, deve ser restituída a ordem democrática e constitucional" desse país.

 

Calderón, por sua vez, anunciou que junto a Obama e a Harper decidiu "fortalecer" as instituições internacionais para defender a democracia em Honduras. "Devemos fortalecer a Organização dos Estados Americanos (OEA), a mediação de Oscar Arias (presidente da Costa Rica) e talvez constituir um Grupo de Amigos de Honduras, que ajude na normalização da democracia", disse o presidente mexicano.

 

Há algumas semanas, Arias declarou o fracasso de sua mediação, baseada no Acordo de San José que, entre outros, previa a restituição de Zelaya ao poder. A OEA, por sua vez, anunciou o envio de uma delegação composta de chanceleres, que terá o objetivo de dar "continuidade" à proposta do costa-riquenho, segundo anunciou o secretário-geral do órgão, José Miguel Insulza.

 

Zelaya viajou no último domingo ao Equador, onde acompanhou a cerimônia de posse de Rafael Correa, que assumiu a presidência de turno da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e o seu segundo mandato nesta segunda.

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