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Obama diz buscar 'recomeço' nas relações com Cuba

Em discurso na Cúpula das Américas, adiantado pela Casa Branca, presidente fala em abordar 'vários temas'

Agências internacionais,

17 de abril de 2009 | 19h18

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, dirá nesta sexta-feira, 17, que busca um "recomeço" nas relações com Cuba. No discurso na cerimônia de abertura da 5ª Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago, divulgado antecipadamente pela Casa Branca, Obama afirma: "acho que podemos levar a relação entre EUA e Cuba a uma nova direção". Ele também deve mostrar a disposição da administração do país em abordar "com o governo cubano uma ampla gama de assuntos, desde os direitos humanos e a reforma democrática até drogas, imigração e assuntos econômicos."

 

Nesta sexta, os Estados Unidos e Cuba trocaram as maiores cordialidades em meio século, em uma série de gestos de boa vontade. "Durante os últimos dois anos, eu disse e hoje repito que estou preparado para engajar minha administração numa série de conversas com o governo cubano, em assuntos como direitos humanos, liberdade de imprensa, reformas democráticas, luta contra as drogas, imigração e questões econômicas", continua Obama no discurso.

 

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Mais cedo, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, disse que derrubará uma resolução que excluiu Cuba da entidade em 1962, enquanto a secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton elogiou a fala do presidente de Cuba, Raúl Castro, de que seu país está disposto a discutir "todas as coisas" com os Estados Unidos. O porta-voz de Obama, Robert Gibbs, disse nesta sexta, um pouco antes do presidente chegar a Port of Spain, que Cuba agora precisa mostrar gestos de boa vontade: "Certamente, são livres para libertar presos políticos, são livres para não ficar com o dinheiro das remessas, são livres para permitir uma maior liberdade de imprensa."

Não se esperam resultados imediatos. "É verdade que é um descongelamento, mas é um descongelamento que vai levar tempo. Não espero gestos dramáticos, continua a haver bastante desconfiança", disse Michael Shifter, do instituto de estudos Diálogo Interamericano, em Washington. Raúl, que participou na quinta e também nesta sexta de um encontro na Venezuela que reuniu desafetos dos EUA, lembrou que muitas nações latino-americanas favorecem o retorno de Cuba à OEA. Ele disse, porém, que seu governo não tem interesse em voltar à OEA, a qual ele acredita "tem que desaparecer."

O líder cubano também respondeu a pedidos de Washington por "sinais" de que Cuba está disposta a mudar sua política, ao dizer que sua administração está pronta a conversar com os EUA sobre "direitos humanos, liberdade de imprensa, presos políticos, tudo". Segundo Hillary Clinton, a posição de Cuba, anunciada na quinta-feira por Raúl, de discutir "todas as coisas" com os EUA é "muito bem-vinda."

"Mandamos dizer ao governo norte-americano em privado e em público que estamos dispostos a discutir tudo: direitos humanos, liberdade de imprensa, presos políticos", afirmou Raúl, na Venezuela. No passado, as autoridades cubanas insistiam que a política nacional era um assunto interno. "Vimos os comentários de Raúl Castro e acolhemos com satisfação essa declaração e a estamos tomando muito seriamente", disse Hillary, durante um encontro com jornalistas na República Dominicana.

 

Obama e a delegação americana, a maior dos 34 países que participam da 5ª Cúpula das Américas, desembarcaram no final da tarde desta sexta em Port of Spain. Obama disse antes que o encontro em Trinidad e Tobago "oferece a oportunidade de um novo começo" para a região. A cúpula está encaminhada para "a criação de emprego, promover o comércio livre e justo e desenvolver uma resposta coordenada para esta crise econômica", avaliou o presidente americano.

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