Obama foi 'áspero e evasivo' sobre embargo a Cuba, diz Fidel

Ex-líder afirma que 'cruel embargo' não tem 'desculpas' para continuar, mas não responde a exigências dos EUA

Agências internacionais,

20 de abril de 2009 | 09h04

O ex-presidente cubano Fidel Castro disse que acompanhou cada passo da Cúpula das Américas, e que o chefe de Estado americano, Barack Obama, foi "áspero e evasivo" sobre o fim das sanções a ilha. Em seu novo artigo da série Reflexões, divulgado na noite de domingo, 19, Fidel não mencionou nada em relação aos pedidos de Obama para que Cuba solte presos políticos e realize uma maior abertura política.

 

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"(Obama) Foi áspero e evasivo com relação ao bloqueio em sua entrevista à imprensa", escreveu o ex-líder cubano. Em declarações no fim da cúpula em Trinidad e Tobago, no domingo, o presidente americano reconheceu que a política de embargo a ilha - endurecida por seu predecessor, George W. Bush - havia fracasso, mas reforçou suas exigências sinais claros de democratização ao governo cubano para melhor relacionamento com Washington.

 

"Desejo recordar um princípio ético elementar relacionado a Cuba: qualquer injustiça, qualquer crime, em qualquer época, não tem nenhuma desculpa para perdurar. O cruel bloqueio contra o povo cubano custa vidas e sofrimento", advertiu Fidel. No domingo, Obama reiterou que a política americana para Cuba não mudará do dia para a noite, e que agora é preciso que o governo cubano se mostre disposto a promover "a democratização, a liberdade dos presos políticos e o respeito aos direitos humanos."

 

O chefe de Estado americano também disse ter muita esperança numa nova era nas relações de cooperação entre a América Latina e os EUA, e que isso sirva para que ocorra uma mudança em Cuba.

Na última sexta-feira, o atual líder cubano, Raúl Castro, se mostrou disposto a dialogar sobre "todos os assuntos" com Obama, incluindo a libertação de presos e abertura à imprensa, que antes eram considerados assuntos internos pelo governo da ilha.

 

O gesto foi elogiado pela administração americana, que chegou a se dizer "surpresa" com o novo tom de Havana. No início do mês, Obama levantou algumas restrições para viagens e remessas de dinheiro à ilha, mas o embargo comercial de mais de quatro décadas continua.

 

O ex-presidente ainda disse que Obama reconheceu os programas do governo cubano, como o envio de médicos a países da América Latina e Caribe. Segundo ele, esses projetos com as nações pobres não são feitos "para ganhar influência", mas são parte de uma "tradição" da revolução cubana.

 

Fidel também lamentou que a Cúpula das Américas tenha acontecido a portas fechadas. A ilha caribenha foi a única no continente que não recebeu convite para participar da reunião. "Uma cúpula secreta é pior que o cinema mudo", avaliou o ex-líder cubano de 82 anos, que passou o poder a seu irmão Raúl em 2006 devido a uma grave doença, não revelada.

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