Agência Estado
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Obama foi fator da mudança de política em Cuba, diz Saramago

Escritor português, comunista há maisde 60 anos, analisa medidas americanas e critica a esquerda atual

João Paulo Charleaux, O Estado de S. Paulo

15 de abril de 2009 | 07h35

Em entrevista concedida por e-mail, o escritor português José Saramago, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1998, comentou ontem para o Estado o anúncio da Casa Branca do relaxamentos das sanções americanas a Cuba. Ele destacou o empenho do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na distensão das relações entre Washington e Havana.

Qual seria o significado simbólico do fim do embargo dos Estados Unidos a Cuba, caso ele fosse anunciado?

Sem querer ferir as suscetibilidades americanas pode-se dizer que "quem resiste ganha". Portanto, deste ponto de vista, Cuba ganhou. É, porém, mais do que duvidoso que se o eleito não tivesse sido Barack Obama houvesse alguma mudança na política de Washington: Cuba continuaria a resistir e os Estados Unidos a oprimir. O fator pessoal tem mais importância do que geralmente se crê. Quanto ao fim do embargo, ainda haverá que esperar. Quando tal coisa ocorrer, verificaremos que coincidiram o significado simbólico e o significado real.

Que mudanças o fim do embargo poderia provocar no pensamento dos movimentos de esquerda em todo o mundo?

Não creio que exista verdadeiramente um pensamento unificado das esquerdas em todo o mundo. A prova disso está na sua passividade perante a crise. O que há são variações sobre o pensamento econômico social-democrata, o qual, por seu lado, assenta-se num suposto capitalismo humanizado, que tem agora um ambiente favorável a tentativas de persuasão ideológica centrista, aliás já em curso, e dos quais, queira-se ou não, Obama será mentor.

Quem venceu, ou quem mudou de posição, para que esta aproximação entre Cuba e Estados Unidos fosse possível depois de tantos anos?

Digamos que não venceu ninguém, mas que os Estados Unidos mudaram de posição.

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