AP
AP

Obama pede 'medidas urgentes' para Saúde e ataca republicanos

Buscando consenso bipartidário, presidente diz que enquanto se discute reforma, 46 milhões não têm planos

09 de setembro de 2009 | 21h53

Em mais um esforço para defender a reforma na saúde pública norte-americana, o presidente Barack Obama pediu "medidas urgentes" para impulsionar seu plano e fez duras críticas à oposição republicana, que tem se oposto sistematicamente à proposta do democrata. "Alguns mergulharam em campos ideológicos sem valor", destacou o presidente. "Muitos usaram essa como uma oportunidade para marcar pontos de curto prazo na política, mesmo que isso retire do país uma chance de resolver um desafio de longo prazo", acrescentou.

 

Veja também:

lista Entenda: Sistema de saúde dos EUA exclui 46 milhões 

 

No discurso conjunto para o Congresso, Obama enfatizou que enquanto se discute a reforma, 46 milhões de pessoas nos EUA não têm nenhuma cobertura de saúde. O presidente disse que "táticas de amedrontamento" tomaram o lugar do debate honesto. "Agora o tempo das brigas acabou. O tempo dos joguinhos passou, é hora de ação", continuou, buscando consenso político bipartidário para seguir adiante.

 

Ele assegurou que a reforma conterá "proteção para aqueles com seguro médico, um sistema que permita aos indivíduos e empresas adquirir cobertura acessível e a obrigatoriedade de que, os que possam, contem com um plano de saúde". O democrata também disse já ver progresso. Segundo ele, há acordo com relação a 80% do que deve entrar no projeto. "Acho que há um amplo consenso em torno desses aspectos do plano", avaliou, apesar de ter admitido que ainda é preciso resolver detalhes significativos.

 

"Não sou o primeiro presidente a levantar esta causa, mas estou determinado a ser o último", afirmou Obama. "Já faz quase um século que Theodore Roosevelt pediu pela primeira vez a reforma na saúde. E desde então, quase todos os presidentes, democratas e republicanos, tentaram de alguma maneira enfrentar esse desafio."

 

Aprovar o plano de reforma no setor, orçado em até US$ 2 trilhões, não tem sido tarefa fácil para Obama. Dúvidas sobre a abrangência e custo do projeto derrubaram a popularidade do chefe de Estado nos últimos meses, refletindo o debate às vezes agressivo entre os políticos. De acordo com uma nova pesquisa da Associated Press-GfK, 52% dos americanos desaprovam as medidas do presidente para a saúde.

 

Grupos conservadores teriam vencido a batalha midiática ao difundir informações que, segundo a Casa Branca, são mentirosas. Até entre os democratas Obama tem perdido apoio. O alvo do discurso parece ser tanto a classe política quanto a opinião pública. Se Obama conseguir unificá-los e estimulá-los, conseguirá aprovar a reforma, segundo analistas.

 

"Não ficarei esperando enquanto interesses especiais usam as mesmas táticas velhas para manter as coisas exatamente como elas estão", afirmou Obama, rebatendo as críticas contra seu plano. "Se vocês distorcerem o que está no plano, eu vou pedir que saiam. E eu não aceitarei o 'status quo' como uma solução", concluiu.

 

(Com AE, AP e Reuters)

Tudo o que sabemos sobre:
Barack ObamaEUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.