Obama poderá relaxar sanções contra Cuba

Cinco décadas depois que Fidel Castro derrubou um ditador para assumir o poder em Cuba, o clima de Guerra Fria entre Washington e a ilha pode estar se dissolvendo, com expectativas de que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, relaxe as sanções contra o país comunista. Obama deixou claro que ele favorece o relaxamento das restrições de viagens familiares e envios de dinheiro por cubanos-americanos para Cuba, que esta semana marca o aniversário de 50 anos da revolução de Castro. Obama poderá reverter outros passos tomados pelo presidente George W. Bush para aumentar as sanções contra Cuba, como o pré-pagamento de importações de alimentos dos Estados Unidos, e também deverá restaurar as negociações sobre imigração encerradas por Bush. Especialistas em Cuba acreditam que pequenas mudanças na política em relação à Cuba acontecerão rapidamente, mas não chegarão a ponto de eliminar o embargo comercial imposto em 1962, nem na permissão de viagens a qualquer americano para a ilha a 145 quilômetros da costa da Flórida. Obama, que assume o poder em 20 de janeiro, será o 11o presidente a lidar com a revolução cubana, em uma disputa que sobreviveu ao fim da Guerra Fria e levou o mundo às raias da guerra nuclear durante a crise dos mísseis soviéticos de 1962. Durante a campanha, Obama disse que o embargo deverá continuar em vigor para pressionar por reformas democráticas em Cuba, mas disse que estava aberto ao diálogo com a liderança cubana. Cuba recebeu a notícia das propostas de Obama como um bom sinal e o presidente Raúl Castro, que assumiu o poder de seu irmão Fidel no começo deste ano, ofereceu a libertação de dissidentes políticos em troca da libertação de cinco espiões cubanos cumprindo pena em prisões norte-americanas como um "gesto" na direção de um encontro com Obama. A troca de prisioneiros é improvável e Obama não dará fim ao embargo sem importantes concessões de Castro, mas sua Presidência é considerada como uma chance para a melhoria das relações, numa época de transição política em Cuba. "O potencial para a mudança é mais real do que nunca", disse Katrin Hansing, diretora do Instituto de Pesquisa Cubana, da Universidade Internacional da Flórida. Especialistas dizem que Obama poderá tomar iniciativas rápidas em relação a Cuba, a fim de enviar uma mensagem clara sobre a política dos Estados Unidos na América Latina, região onde a influência dos EUA entrou em declínio com Bush e onde o embargo contra Cuba é muito impopular. Obama vai se encontrar com líderes latino-americanos e do Caribe em abril em uma reunião de cúpula em Trinidad e Tobago. Empresas norte-americanas estão apostando em um clima melhor para o comércio com Cuba, que comprou cerca de 2,6 bilhões de dólares em alimentos dos Estados Unidos desde que o Congresso aprovou uma exceção ao embargo em 2000. O Grupo de Estudos de Cuba, uma organização moderadas financiada por empresários cubano-americanos, também recomendou o fim das sanções de todas as viagens e o envio de dinheiro a Cuba como uma forma de "fortalecer o movimento pró-democracia" na ilha. Essas medidas exigiriam a aprovação do Congresso, e, para tanto, o governo cubano teria de dar mostras de que está realizando mudanças no país, o que por enquanto não está acontecendo.

ANTHONY BOADLE, REUTERS

29 de dezembro de 2008 | 17h24

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