Obama tomará atitude mais firme contra golpistas, diz Zelaya

O presidente deposto de Honduras afirmou que o presidente dos EUA 'não vai brincar com seu prestígio'

Efe e AP,

12 de agosto de 2009 | 19h29

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou nesta quarta-feira, 12, no Brasil, que está "convencido" de que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama "não vai brincar com seu prestígio e terá uma atitude mais firme contra os golpistas" que o destituíram de seu cargo no dia 28 de junho.

 

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Zelaya fez as declarações em entrevista coletiva depois da reunião de cerca de duas horas com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que reiterou seu apoio e lembrou a firmeza com a qual o Brasil condenou o golpe desde o primeiro momento.

 

"Honduras está submetida a uma ditadura, os Estados Unidos têm que tomar medidas mais firmes para reverter esse golpe de Estado por Honduras depende 70% de sua economia dos Estados Unidos", declarou Zelaya. O governo de Washington já suspendeu US$ 18 milhões em assistência ao regime que derrubou Zelaya.

 

O chanceler brasileiro Celso Amorim declarou que seu governo está preocupado com a demora da restituição de Zelaya ao poder. "Para que o presidente Zelaya volte rápido é preciso que os golpistas entendam que eles não têm futuro e quem pode dizer isso com todas as letras para eles são os Estados Unidos, porque têm maior influência direta. Mas, isso dentro do marco multilateral e da carta democrática que todos apoiamos. É muito importante que isso ocorra", disse Amorim.

 

Segundo Amorim, quando mais o tempo passa, fica mais enfraquecida a capacidade da legitimação das eleições, marcadas para novembro. "Isso é ruim para a democracia. Então é preciso que não só o presidente Zelaya volte, mas que volte rápido", disse Amorim. Ele disse que Lula se dispôs a falar no momento oportuno com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

 

De acordo com Amorim, é preciso que os golpistas entendam que não há espaço para golpes na região. Segundo ele, isso tem de ser dito claramente pela Organização dos Estados Americanos (OAE) e pelo governo dos Estados Unidos. "Não há dúvida sobre o apoio do Brasil à volta imediata e incondicional do presidente Zelaya a Honduras"

 

Zelaya também explicou que tanto Lula, quanto ele estão de acordo que é necessário "planejar ações multilaterais de organismos como as Nações Unidas ou a Organização dos Estados Americanos (OEA)".

 

Neste sentido, o líder deposto afirmou que uma destas medidas seria "o não reconhecimento das eleições que surjam de um estado ilegal", como Zelaya se referiu ao próximo pleito que poderá ser realizado em Honduras, atualmente governada por Roberto Micheletti.

 

"É preciso levar em conta que este golpe foi o primeiro condenado pela OEA", afirmou Zelaya, que lembrou, além disso, que os Estados Unidos "patrocinaram" esta condenação.

 

Sobre o assunto, Zelaya afirmou que não acredita que Obama "tenha uma dupla moral, mas algumas forças internas nos EUA".

 

Durante seu discurso, o presidente deposto de Honduras lembrou também que a primeira parada do avião no qual foi expulso de seu país foi na base de Palmerola, em território hondurenho, mas com presença de militares americanos.

 

Para Zelaya, "nesse momento, os EUA e o Pentágono tinham que saber que havia um golpe de Estado em andamento" em Honduras e, por isso, pediu maior firmeza "para colocar um fim a este processo".

 

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, insistiu na ideia de que "os únicos que podem fazer os golpistas entenderem que não têm futuro são os EUA, por sua influência na região".

 

Amorim afirmou ainda que o próprio Lula estaria disposto a conversar com Obama se fosse necessário e ele mesmo se encontraria com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, mas não determinou datas sobre a reunião.

 

Zelaya, que viajará amanhã para o Chile para se reunir com a presidente Michelle Bachelet, foi recebido em Brasília, após o encontro com Lula, pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, também para analisar os detalhes da crise hondurenha.

 

O país anunciou nesta quarta-feira, 12, que exigiu que o embaixador de Honduras, Francisco Martínez, devolva suas "imunidades diplomáticas", porque Martínez anunciou seu apoio ao governo de Micheletti.

 

Em Honduras

 

Milhares de seguidores do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, voltaram nesta quarta-feira, 12, às ruas de Tegucigalpa para novas manifestações, após os distúrbios registrados na terça-feira. A manifestação começou em uma universidade, e teve como destino os arredores da sede do Governo.

 

Em Tegucigalpa, a polícia dispersou com bombas de gás lacrimogêneo uma manifestação a favor de Zelaya. O protesto percorreu avenidas principais da cidade e foi até as vizinhanças do Congresso, onde foi disperso. Os manifestantes agrediram o vice-presidente do legislativo hondurenho.

 

Os distúrbios começaram quando um grupo de manifestantes atacou e golpeou na rua o vice-presidente do Congresso, Ramón Velázquez, que saia do seu escritório na legislatura. O político, do Partido Democrata Cristão, recebeu socos e chutes, constatou a Associated Press.

 

Na véspera, 43 pessoas foram detidas em outra manifestação a favor de Zelaya, após tumultos nos quais foram incendiados um ônibus e um restaurante de fast-food.

 

No protesto, os seguidores de Zelaya cantaram palavras de ordem contra o Governo presidido por Roberto Micheletti. Alguns empresários, militares e políticos também foram alvos do grupo. Um dos líderes da manifestação disse à Agência Efe que o protesto "reuniu mais gente que o de ontem".

 

A mesma fonte explicou que seguidores de Zelaya em San Pedro Sula não querem que a cidade seja palco da partida de hoje entre Honduras e Costa Rica, pelas Eliminatórias da Concacaf à Copa de 2010. "Hoje pode ser complicado em San Pedro Sula, porque há muita gente que condena o golpe contra Zelaya e não quer que este jogo seja realizado", afirmou.

 

Zelaya não tem "nenhum desejo pessoal de voltar" ao país, mas que deve voltar para que a ordem democrática seja restabelecida, afirmou seu ministro da Defesa, Arístides Mejía. "Zelaya não tem (...) segundo o que observei, nenhum desejo pessoal de voltar, já que já governou e faltava pouco para terminar" quando os militares o depuseram, disse Mejía. "O que está fazendo é tratando que se restabeleça a ordem democrática em Honduras, como toda a comunidade internacional, que quer que o presidente volte para terminar o tempo de seu mandato" até o processo eleitoral, afirmou.

 

Eleições

 

O presidente de fato de Honduras, Roberto Micheletti, reafirmou hoje, em declarações a jornalistas na

Nicarágua, que as eleições gerais em seu país serão realizadas no dia 29 de novembro. Essa é a data que foi determinada pelo Tribunal Eleitoral de Honduras, no dia 28 de maio, um mês antes de os militares deterem e expulsarem do país o presidente Manuel Zelaya.

 

Em declarações pelo telefone a uma emissora de rádio de Manágua crítica ao Governo de Daniel Ortega, Micheletti disse que a posse do próximo presidente eleito de Honduras será no dia 27 de janeiro de

2010. "Quero dizer aos nicaraguenses que teremos um processo eleitoral interno e os candidatos dos diferentes partidos já foram determinados, inclusive apareceram independentes pela primeira vez

na história de Honduras", disse Micheletti. Afirmou ainda que o Tribunal Eleitoral de seu país aprovou as

eleições e que dará início à campanha eleitoral este mês, para que os políticos apresntem suas propostas.

 

Com Mariângela Gallucci, de O Estado de S. Paulo

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