Ocupação militar em aeroporto agrava conflito na Bolívia

População entra em choque com a polícia contra ação do Exército, que pretende controlar o terminal

Efe,

19 de outubro de 2007 | 08h08

A briga entre o presidente boliviano, Evo Morales, e a próspera cidade de Santa Cruz, controlada pela oposição, se agravou na quinta-feira, 18, com a ocupação militar do aeroporto, que levou a choques com a polícia e a convocação de um protesto para esta sexta-feira. O aeroporto Viru Viru foi tomado na madrugada de quinta-feira pela Força Aérea boliviana. O objetivo era impedir a cobrança de taxas das companhias aéreas, que o governo Morales considerou "ilegal". Centenas de manifestantes, liderados por dirigentes do Comitê Cívico de Santa Cruz e legisladores de oposição, cortaram o acesso ao terminal aéreo. Eles enfrentaram a os policiais e acenderam fogueiras para minimizar o efeito do gás lacrimogêneo lançado pelos agentes para dispersar o grupo. O governador do departamento de Santa Cruz, Rubén Costas, convocou a presença de "20 a 50 mil pessoas" para a manifestação desta sexta-feira contra a ocupação militar do aeroporto. Ele disse que é o "único comandante" do povo de Santa Cruz. Segundo a imprensa, nos prédios do terminal, o de maior tráfego internacional da Bolívia, várias pessoas foram feridas pela polícia. "Houve uma repressão violenta contra o povo de Santa Cruz, no estilo das piores ditaduras", denunciou o vice-presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Luis Núñez. Ele explicou que os opositores marcharam rumo ao aeroporto para pedir uma "gestão descentralizada". Os problemas em Viru Viru começaram no início da semana. A administração do aeroporto começou a cobrar uma taxa em dinheiro, o que as empresas também consideraram "ilegal". A TAM e a Gol, além da American Airlines, suspenderam vôos para a cidade na terça-feira. Em La Paz, Evo Morales criticou as cobranças, que chamou de "corrupção". Ele insistiu ainda que as empresas aéreas devem depositar o pagamento nas contas estatais. O governante disse que o ministro de Relações Exteriores, David Choquehuanca, foi prejudicado porque a American Airlines suspendeu seus vôos devido aos incidentes. "Ele telefonou e me disse que não sabe o que fazer. Está tentando outros vôos por culpa de alguns corruptos no aeroporto de Santa Cruz", disse Evo, ao justificar a ocupação militar do aeroporto. Depois da ação, o governo anunciou que os vôos haviam sido normalizados mas que, com os distúrbios no local, a estrada que liga o aeroporto e Santa Cruz, a maior cidade da Bolívia, foi fechada. Centenas de manifestantes prometeram passar a noite no local, em frente aos piquetes de militares e da Polícia. O presidente do Comitê Cívico, Blanco Marinkovic, líder dos setores que reivindicam mais autonomia, afirmou que a tomada militar e as agressões a empregados civis não são próprios de uma democracia, e sim "de uma ditadura". Ele afirmou ainda que o governo Morales não quer uma administração independente no aeroporto porque nele "pousam aviões da Venezuela e de Cuba". Núñez e o ex-gerente em Santa Cruz da Administração Autônoma de Serviços Auxiliares à Navegação Aérea (Aasana) Ronald Toro, destituído pelo governo, afirmaram que militares venezuelanos participaram da ocupação. "As palavras do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, estão se cumprindo, com balas contra o povo boliviano", acrescentou o dirigente cívico. Chávez recentemente advertiu que a Venezuela não ficará com os "braços cruzados" no caso de conspirações para derrubar ou assassinar Evo, e que a Bolívia podia viver, nesse caso, um "Vietnã das metralhadoras, da guerra".

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