Odebrecht propõe perícia independente em usina no Equador

Construtora brasileira é ameaçada de expulsão do país por construir hidrelétrica com problemas estruturais

Agências internacionais,

17 de setembro de 2008 | 13h33

A construtora Odebrecht, ameaçada de expulsão do Equador por supostos erros estruturais em uma usina hidrelétrica, propôs uma perícia independente para determinar as responsabilidades no caso, informou nesta quarta-feira, 17, o jornal equatoriano Expreso.   A proposta era analisada pelo Fundo de Solidariedade equatoriano para tomar uma decisão, pois o prazo fixado para a assinatura de um convênio de compromisso para a melhora do sistema terminou na terça. "É preferível perder um dia e conseguir uma boa solução. O importante é que se chegue a um bom acordo", destacou Bernardo Enríquez, representante do presidente do Equador, Rafael Correa, no setor elétrico.   O presidente do Fundo de Solidariedade, Jorge Glass, disse que se a proposta for aceita, todas as condições devem ser oferecidas para que a "análise técnica internacional" possa determinar objetivamente todas as responsabilidades da Odebrecht na hidrelétrica de San Francisco.   O ministro de Eletricidade e Energias Renováveis equatoriano, Alecksey Mosquera, disse que independentemente do que for decidido, a Odebrecht terá que pagar os US$ 43 milhões anunciados como garantia, pois o prejuízo para o país é evidente, já que a usina está paralisada desde 6 de junho.   O secretário Anticorrupção equatoriano, Alfredo Vera, lembrou na terça que a construtora brasileira tem até 4 de outubro para reparar os danos na hidrelétrica, mas que o prazo para assinar um convênio sobre outros pontos já expirou. Vera acrescentou que a Odebrecht terá que sair do país se não cumprir as exigências do governo, nas quais incluiu outros projetos desenvolvidos em outra hidrelétrica, um sistema de irrigação e um aeroporto. "Se não regular San Francisco, então quer dizer que também não regulará outras coisas, e a decisão do governo é rescindir os contratos de forma unilateral por falta de seriedade", ressaltou.   San Francisco é a primeira usina no mundo totalmente subterrânea, programada para responder por 12% da energia hidrelétrica do país. Está localizada ao lado do vulcão Tungurahua, a 220 km de Quito, e usa águas do Rio Pastaza. Custou mais de US$ 338 milhões e somente os reparos estão orçados em aproximadamente US$ 12 milhões, segundo o Conselho Nacional de Eletricidade do Equador (Conelec). As instalações estão ocupadas por militares há uma semana.   No domingo, Correa acusou ainda a empreiteira de corrupção. "Quanto mais escavo, mais pus encontro. Esses senhores têm sido corruptos e corruptores, compraram funcionários do Estado", disse Correa. "O que fizeram é um assalto ao país."   Fontes do consórcio formado pela Odebrecht, Va Tech e Alston atribuíram ao clima de disputa eleitoral no Equador os ataques do presidente Rafael Correa à construtora Odebrecht. A companhia brasileira está no Equador há 20 anos e tem outras 4 obras em andamento, onde emprega 3 mil trabalhadores. Em nota, o consórcio informou que a usina foi inaugurada em junho de 2007, nove meses antes do prazo. Um ano após a inauguração, foram detectados "problemas pontuais" no túnel de condução das águas para as turbinas, além do desgaste excessivo de rodas d'água das turbinas e falhas no sistema de esfriamento provocadas por questões que estão sendo analisadas".

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